sábado, 13 de março de 2010

Adeus a Glauco

Quando comecei a arriscar meus primeiros traços como chargista na imprensa do Maranhão, vi em Glauco uma de minhas referências. Impactou-me o traço simples, quase infantil, e a forma genial de ser sutil e escrachado ao mesmo tempo.

Confesso que, até ontem – quando fui surpreendido com a morte absurda do cartunista –, não sabia de suas convicções religiosas. Só tinha olhos para a sua arte.

As informações ainda meio obscuras sobre o assassinato do artista trouxeram a público um lado místico/espiritual até então restrito às pessoas de seu convívio. Fundador da Igreja do Céu de Maria, inspirada nos cultos do Santo Daime, Glauco certamente conviveu com seu assassino em cultos e reuniões, já que o universitário Carlos Eduardo Sandfeld Nunes, de 24 anos, freqüentou a comunidade. Segundo testemunhas do crime, o jovem chegou à casa de Glauco dizendo que era Jesus.

Em meio a fatos e especulações sobre a bárbara morte de Glauco, emergem questões que apontam para mais um caso absurdo de violência no Brasil, mas também para a tragédia do engano religioso – que ocorre, inclusive, dentro das igrejas evangélicas – que confunde e “assassina” multidões de jovens em nosso país.

Não convém agora fazer ilações sobre as causas que levaram ao distúrbio mental daquele jovem. Mas, tomo essa situação triste como exemplo para alertar contra as armadilhas da religiosidade mística que levam as pessoas a um caminho sem saída em busca de Deus. O Caminho é simples. Não precisa de subterfúgios, de chás alucinógenos, de rosas ungidas, de água benta evangélica ou de “milagres” de ocasião. O caminho que nos leva a Deus nos é dado pela graça mediante a fé em Jesus Cristo. Ponto final.

2 comentários:

Mariana disse...

Meu amigo também acredito quando dizes que "o caminho que nos leva a Deus nos é dado pela graça mediante a fé". Acredito também que devemos ter muito cuidado com as sementes que plantamos ao longo da nossa caminhada, somos responsáveis por aquilo que cativamos, por todos que confiam e acreditam na nossa palavra. Cada passo é observado, analisado e julgado por aqueles que nos rodeiam, temos que estar em constante vigília principalmente porque muitos não estão preparados para serem tocados pelo amor Divino. Fica na Paz.

Esli Soares disse...

Clóvis...

Excelente texto, lúcido, coerente e bíblico.

Muito nobre de sua parte admitir que gostava da arte dele mas não da religião dele.

Muito nobre, também, não comentar nada disso agora, temos que chorar por ele e sua família, por diversas razões.

Muito nobre também, você deixar claro, de forma gentil e honesta, indo contra essa tacanha "política de boa vizinhança" das religiões, qual e o caminho para a Vida Eterna.

Deus te abençoe.

Esli Soares

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