terça-feira, 3 de agosto de 2010

“Chaveco santo”


Até tentei ignorar, mas o “profeta” Morris Cerullo não deixou. Desde que fui a um seminário em que ele (Cerullo) era a estrela principal, venho recebendo e-mails do escritório deste cidadão, auto-entitulado “profeta de Deus para o mundo”, solicitando “sementes” (donativos, para ser bem claro) para o seu ministério. Acho que o fato de ter posto o meu endereço eletrônico em um cadastro do referido evento acabou por inserir-me na lista de “parceiros do Cerullo”. Considero este comentário uma resposta ao e-mail.

No seminário do qual participei, em Brasília, anos atrás, o Senhor começou a abrir a minha mente e, ao mesmo tempo, aguçou minha percepção espiritual para o engano da “teologia da prosperidade”. A “pregação” de Cerullo - para mais de 20 mil pessoas na ocasião - foi uma “piada”. Entre elogios a si mesmo, como “profeta usado por Deus para as nações”, ele passou horas repetindo ladainhas do tipo “Deus me revelou que vai liberar uma bênção sem igual para o Brasil. Mas, lembre-se, a Bíblia ensina que temos que dar para receber, e que devemos obedecer o que diz o profeta. Por isso, desafio vocês a darem uma oferta de fé... blá, blá, blá...”.

Pois é, ontem resolvi, por pura curiosidade, ler um dos e-mails do “profeta” enviados a mim (e, logicamente, a milhões de pessoas ao redor do mundo) escrito em inglês. A conversa é sempre a mesma. “Deus me revelou blá, blá, blá...”. A nova “revelação” era mais ou menos a seguinte: “Existem três chaves que você precisa saber para ser abençoado e ter seus problemas resolvidos. A primeira é ‘Jesus abençoou o pão’. A segunda, ‘Jesus multiplicou o pão’. A terceira, ‘Jesus concedeu o pão’. Já dá para ver aonde esse “chaveco” vai dar. Alegando estar seguindo uma orientação do Senhor, Cerullo, sem o menor pudor, pede ao receptor do e-mail que dê uma oferta (não sem antes oferecer três opções de quantia) ao “profeta” (ele), que se compromete a ser um intercessor fiel de seus “parceiros”. E encerra com a seguinte pérola: “O milagre acontece quando você dá”.

Parece brincadeira, mas é isso aí. Um descarado “chaveco santo”. Logo para cima de mim, e justo em dias em que estou lendo um livro intitulado “Paulo – um homem de coragem”, de Charles R. Swindoll, uma verdadeira lapada na “teologia da prosperidade”. Em sua obra, Swindoll fala de outra teologia, a do ESPINHO. Fala de um Deus soberano e justo, e não de um gênio da lâmpada pronto satisfazer os nossos desejos. Fala de um apóstolo que se alegrava na fraqueza e nas dores, porque eram nelas que o poder de Deus se aperfeiçoava nele. Fala das verdades da cruz e da graça. Enquanto isso, Cerullo passeia mundo afora com seu jatinho de US$ 30 milhões, enganando pessoas com distorções escandalosas da Palavra, comercializando o nome de Jesus sem o menor constrangimento. Para cima de mim não, “ungidão”.