terça-feira, 19 de outubro de 2010

"Aborto já"


Nunca o aborto, ou melhor, o discurso contrário a ele, esteve tão em alta no Brasil. No jogo do voto, vale tudo para cativar seguidores, até mesmo a mudança descarada de discurso, com direito a carinha de santo e postura religiosa patética. O cenário que ora se desenha no país me faz lembrar o nefasto jogo do vale-tudo-por-dinheiro que temos visto e ouvido por aí no dito mundo cristão. Vale mudar o discurso, a postura e até mesmo rasgar o currículo, desde que isso garanta mais e mais seguidores e, claro, muita “gaita” no bolso.

Diante do tema do momento, resolvi propor a campanha “Aborto Já”. É claro que o título é uma forma apelativa e sensacionalista de garantir a atenção dos leitores, principalmente os preocupados com os “zilhões” de bebês que podem ter suas vidas abreviadas por um procedimento abortivo. Vale frisar que se trata tão somente de um joguete verbal para falar de um “aborto” que se faz necessário, pela sobrevivência da noiva imaculada de Cristo.
   
Ante à gestação do monstro da prosperidade - estou falando de money, business - que cresce no útero de muitas igrejas, “Aborto Já”. Por uma limpeza espiritual que leve ao resgate do evangelho puro e simples; por uma geração liberta de falsos profetas da barganha, “Aborto Já”. Pela formação de cristãos alicerçados na Palavra e não caçadores de bênçãos, “Aborto Já”. Por uma igreja atuante na área social, na formação de cidadãos decentes, éticos, conscientes, e preocupada com o próximo e não com os próprios interesses, “Aborto Já”.

Contra invencionices “bíblicas” e metas absurdas, como as que têm transformado igrejas em organizações, “Aborto Já”. Ilustro o meu protesto com o depoimento de um amigo goiano, que, estarrecido, contou-me sobre uma das práticas de certa igreja de seu estado. Disse-me ele, com base em fatos, que cada líder de célula tem a função de arrecadar uma determinada quantia mensal de seus liderados e, caso a meta não seja cumprida, ele precisa cobrir o “saldo devedor”. Agindo assim, mostra o quando é comprometido com a “obra” e dotado da visão de vencedor.

 Já tinha ouvido muito caso de desserviço ao evangelho genuíno, mas esse chegou ao patamar dos 10 mais. Por esses e outros seres estranhos que proliferam no organismo da igreja, “Aborto Já”.

Para finalizar, vale um comentário breve sobre o tema que vem “bombando” nos discursos de Dilma Rousseff e José Serra. Como as drogas, não será a garantia de proibição que fará as pessoas deixarem de praticar a violência do aborto. O problema é mais embaixo. E só uma igreja saudável, digna, idônea pode ter moral para combater esses e outros males que desviam o homem dos caminhos do Altíssimo.