segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma palavra franca sobre dízimo

Se eu for fiel com o meu dízimo, Deus será fiel com o meu bolso, certo? Não necessariamente. A Bíblia me ensina que Deus é fiel mesmo quando somos infiéis, porque não pode negar a si mesmo (2Tm 2:13). Ou seja, não é o fato de eu ser dizimista (e sou, só para deixar claro) que vai obrigar Deus a zelar pelas minhas finanças. Além do mais, Deus conhece a intenção do coração do homem e sabe muito bem as motivações de cada um.

Já se eu for fiel com o meu dízimo, Deus vai me devolver em dobro, certo? Errado. Deus nos dá conforme a sua justa medida e não é o valor do meu dízimo ou da minha oferta que vai determinar alguma coisa para Deus. Além do mais, quem está devolvendo sou eu, Ele não é obrigado a me devolver nada.

Se eu for um fiel dizimista, não terei dificuldade financeira, certo? Até parece! Se a regra fosse essa, existe algo errado com ela, afinal, eu não conheço um crente que não passe alguma dificuldade financeira (alguns mais outros menos, lógico).

Vou ser sincero, e me desculpem os aficionados pela fórmula do toma-lá-da-cá ao pregar sobre dízimos e ofertas, mas insistir nessa linha, apelando sempre para benesses financeiras, é um incentivo ao pecado. Antes que alguém pense que o pastor radicalizou ou pirou de vez, explico. Penso que alguém que devolve o dízimo ou dá uma oferta à igreja com segundas intenções (ou seja, para receber em troca), não está realizando um ato de amor e corre sério risco de estar semeando na carne. Vejamos o que diz Gálatas 6:7 acerca da lei da semeadura:
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”.

Ora, a Bíblia diz que tudo que eu semear eu vou colher, no entanto, a semeadura de boa colheita é aquele que é feita na seara espiritual. Se eu sou induzido, simploriamente, a dizimar na espera de um retorno financeiro, é o mesmo que resumir o ato a um investimento na bolsa de valores ou num fundo de aplicação financeira qualquer, no qual eu deposito uma quantia esperando receber rendimentos por isso. Mas, dízimo e oferta são bem mais do que um joguete monetário, é um ato de fé, de obediência, de adoração e, sobretudo, de amor ao próximo.

Sinceramente, acho um menosprezo reduzir uma atitude tão importante, que é o ato de dizimar e ofertar, a uma oportunidade de receber uma graça financeira. Antes de ser apenas uma chance de constatar a fidelidade de Deus conosco, nossa contribuição voluntária nos faz co-participantes da obra do Senhor. Por meio dela ajudamos a pagar despesas da igreja (ou você acha que as contas de água, luz, pessoal, aluguel, limpeza, etc, etc..., são pagas com dinheiro celestial?), bem como a manter obras sociais, a investir em missões, manutenção, ampliação e instalação de templos, e, consequentemente, a alcançar vidas com a pregação do Evangelho. Se o nosso contribuir for uma ação de busca pelas coisas do Reino de Deus, as demais coisas serão acrescentadas naturalmente (Mt 6:33). É simples. Inverter essa ordem é, como já disse, um incentivo ao pecado (impulso a semear na carne).

Por isso, rechaço o discurso repetitivo que incentiva os evangélicos a contribuírem sempre (e somente) à espera de uma graça no campo financeiro. Se ela vier, que seja no campo das demais coisas acrescentadas. Amém?