quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

É Carnaval, uuêêbbaa!!


“O Carnaval é como uma religião. Ir atrás do trio é como ir à igreja”. Essa foi mais ou menos a declaração recente do cantor e ex-ministro da cultura Gilberto Gil, definindo sua paixão pela folia de Momo.

Ouvi a ‘pérola’ do baiano ilustre, quis reagir de forma desaforada, mas controlei-me. Horas depois, conclui: “E não é que a frase do Gil pode ter lá um fundo de verdade”.

Senão vejamos: culturalmente falando, o Carnaval no Brasil é um período marcado pela liberalidade no qual “tudo é permitido”. Um tempo para extravasar a alegria e “soltar a franga” [alguns levam isso ao extremo, diga-se de passagem]. Vale tudo nessa época do ano, pregam os carnavalescos de plantão.

E o que a igreja tem a ver com isso? Tudo a ver. Façamos um comparativo [arriscado, admito] entre a igreja e um trio elétrico, como nos propõe o nosso intelectual ex-ministro. Tanto o trio quanto as igrejas têm na música um de seus atrativos principais. Responda sinceramente: as igrejas do século XXI estariam cheias do jeito que estão não houvesse o apelo da música evangélica e a profissionalização dos ministérios de louvor? No século XIX, Moody atraiu uma multidão de vidas para Jesus à base de Escola Bíblica Dominical. Palavra pura. Mas hoje, não consigo ver uma multidão de jovens empolgada a ir à igreja para assistir a uma aula sobre a Bíblia.

Tudo bem, reconheço que os louvores de hoje têm sido instrumento, até certo ponto, poderoso em favor do Reino, mas a discussão não é essa agora. Voltemos ao paralelo trio/igreja. Em ambos, corre-se o risco da idolatria. Enquanto multidões ensandecidas se espremem atrás do trio da Ivete Sangalo, multidões de crentes se acotovelam em busca da “bênça” do “profeta” “fulano-de-tal-do-fogo-puro”, da “Igreja do Milagre Obrigatório”. Ouvi dizer que tem crente brigando até por suor de pastor por aí! Se isso não for idolatria, não sei o que o é.

Na linha do “tudo pode”, igreja e trio tornam a se assemelhar. Enquanto os foliões beijam muuuiiinnntooo atrás do trio, tem crente beijando muuuuiiiiitooo por detrás dos panos. Afinal “tudo me é lícito, mas nem tudo me...” ah, o resto não importa, ninguém vai saber mesmo.
Em suma, o perigo é que muitos de nós temos encarado a igreja como Gil, tal e qual o Carnaval: um lugar para se divertir, paquerar, botar a máscara e cair na folia. Mas tem uma diferença vital. No Carnaval, depois dos três dias de fantasia muitos têm o desprazer da ressaca da vida real. Já na igreja, o “carnaval” pode durar toda uma vida, caso não tiremos a máscara - ou a venda dos olhos, como queiram - para enxergar Aquele que nos faz livre para viver a eterna folia da presença de Deus.

3 comentários:

Mauricéia disse...

Um pouquinho da história do Carnaval.

Carnaval significa depravação da carne(Carne Vale), mas há quem diga que o termo carnaval tem uma história e que a palavra vem de "Carro Naval",que é a festa do barco de Ísis, quando um préstito cheio de pessoas mascaradas e um carro parecido um barco, puxado por cavalos enfeitados, levava em seu bojo mulheres nuas e homens que cantavam canções impudicas. Era o "Carrus Novalis". Por ser uma festa essencialmente pagã, sofreu modificações com o advento do cristianismo nominal. O termo carnaval vem do baixo latim, "Carnevalemen", que modificado ficou "Carne Vale". Seja como for, o Carnaval é, portanto, uma festa religiosa e idólatra! Na Antiguidade,os greco-romanos faziam comumente um culto aos deuses pagãos da mitologia. O uso de máscaras, por exemplo, é uma reminiscência do primeiro culto aos mortos. Como vemos, o paganismo, a mitologia, a idolatria, o fetichismo, a licenciosidade, a orgia e a estupidez deram origem ao carnaval.Portanto, meus amados irmãos, devemos fugir da idolatria! Saibam que quando vamos à Casa de Deus em busca de bens materiais ou de um Profeta que nos garanta poderes miraculosos, estamos também sendo tão idólatras quanto alguém que "brinca" carnaval.Quando também colocamos nosso filhos, marido,pais,etc como sendo
algo mais importante que Deus também estamos sendo idólatras!
Por isso, gostaria de deixar aqui expresso as seguintes palavras:"Muitos vêem o outro lado da moeda, mas não publicam.
Muitos se perdem no carnaval, mas ninguém fala.
Muitos são sensíveis às coisas que se sucedem, outros acham normal.
Muitos tem fôlego no carnaval, milhões precisam do FÔLEGO DA VIDA!
Continue enxergando onde muitos não querem ver!" Ou ainda o que está no mandamento da Lei de Deus: "Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força." (Deut. 6:5)

Que Deus te ilumine e te guarde, meu irmão Clóvis, por esta reflexão tão cheia de graça e tão rica de sabedoria!
A Paz do Senhor seja contigo continuamente!

Leonardo Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
L. H. Dessart disse...

Boa reflexão, comparando o carnaval com este tipo de religiosidade que infestou a igreja moderna. Acho que muitos ficariam um pouco chocados com tal comparação, mas, infelizmente, é verdade.
Muito legal seu blog! Conheci-o através do Púlpito Cristão, e já estou te seguindo!

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Abraço!!!

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