sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“Evangelho” para boi dormir

A coisa está feia, irmãos. Não foi à toa que Deus nos advertiu, desde tempos idos, sobre o perigo da falta de conhecimento (Os 4:6). Quando estamos recém-convertidos, somos tal esponjas em poça d’água, absorvemos tudo, sem a devida noção de certo e errado, ávidos pelo novo de Deus. Mas, aqueles que prosseguem na caminhada, os mais atentos e questionadores, logo descobrem que nem tudo o que se ouve por aí tem fundamento bíblico - ou qualquer fundamento.

Veja bem: quero excluir desse comentário as clássicas quizilas teológicas entre arminianos e calvinistas, ou mesmo velhas pendengas doutrinárias entre assembleianos e presbiterianos, pentecostais e batistas tradicionais, as quais, via de regra, pairam no universo da hermenêutica, mas com seus respectivos amparos nas Escrituras Sagradas. Quero centrar fogo aqui nas invencionices que se vê por aí, fruto da “criatividade” ou da imaginação (in)fértil de certos pregadores. Chamo-as de “evangelho” para boi dormir, para enganar trouxa e desviar a atenção do Caminho.

Nessa ceara, vemos os mais escabrosos absurdos, desde rosa ungida, “água benta” gospel, óleo santo do Monte das Oliveiras... entre outros amuletos, que em pouco se diferem de objetos místicos como pé de coelho, figa, trevo de quatro folhas ou cristais. Inventar talismãs milagrosos é contribuir com a formação de crentes supersticiosos, místicos, adestrados à idolatria de objetos e de falsos profetas.

Cito ainda pregações acerca de revelações miraculosas, no estilo toma-la-dá-cá, que garantem “bênção extra” àqueles que ofertarem altas quantias, sempre ao comando do “profeta” (estilo Mike Murdock, Morris Cerullo e Cia.).

Há ainda um perigo velado, alheio aos menos observadores e perfeito aos recebedores de bênçãos. Trata-se da prática de se pregar palavras ou idéias que não estão na Bíblia como se estivessem. Um exemplozinho clássico: “A Bíblia diz que o cair é do homem o levantar é de Deus”. Frases como essas são até “aceitáveis” dentro de um contexto ilustrativo, mas jamais precedida da afirmação “a Bíblia diz”, porque não diz. O que a Bíblia diz é: “(...)se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Ap 22:18). E ainda: “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando (Dt: 4:2).

Sei que essa conversa não é nova. Aliás, o assunto é recorrente entre apologistas e estudiosos cristãos (recomenda-se “Erros que os Pastores devem evitar”, de Ciro Zibordi). Mas, volta e meia, vale lembrar o compromisso que se deve ter com o bom ensino da Palavra, com a doutrina apostólica, com o evangelho genuíno. Dizer que a Bíblia diz o que ela não diz é enganar os ouvintes, é dar mau testemunho, sem falar no risco de o pregador parecer pouco conhecedor das Escrituras.

Como igreja, temos um papel crucial na formação de cristãos firmados na verdade de Cristo, na solidez do aprendizado constante da Palavra (Os 6:3). Nessa missão, inclua-se a postura de não se omitir acerca do evangelho da cruz, do arrependimento, o que se difere radicalmente do “evangelho” açucarado de alguns líderes, preocupados em garantir números e numerários pomposos a suas igrejas. Fico pensando se certos pastores (ou apóstolos, bispos, etc), com suas aeronaves, carros importados, gordas contas bancárias e seus milhões de seguidores, conseguirão passar pela porta estreita (Mt 7:13) com tanta gordura “santa” a queimar. Enfim, cada qual sabe a missão que tem. É ou não é?

sábado, 29 de janeiro de 2011

ImBBBecilidades em horário nobre

Que o BBB é uma escória da TV Brasileira, muitos com o mínimo de massa encefálica ativa hão de concordar. E nada que venha da tal casa dos brothers me causa espanto. Embora não seja telespectador do nefasto reality global, acabo sabendo, via globo.com (um dos sites que visito diariamente), de algumas peripécias dos “geniais” participantes da edição atual do programa. Recentemente, uma novidade foi um alardeado primeiro beijo lésbico da história do BBB. Ohhhh! Que grande feito!!!!

A fim de comentar o episódio, arrisquei-me a ler o texto com a “fantástica” notícia. Descobri, então, que o beijo “revolucionário” foi entre as participantes Diana e Michelly, não sei bem em que situação, porque não tive estômago para ler a reportagem até o fim. Mas li o suficiente para deparar-me com a “brilhante” declaração que a tal Diana teria dito antes de entrar na casa: “Eu não chego em mulher, elas é que chegam em mim”, afirmou a “filósofa” big sister. Em seguida, arrematou com esta pérola: “As mulheres que eu mais fico são ‘heterossexuais’. Não existe mais mulher hétero, todas são curiosas”.

Vê-se o nível da coisa. Quer dizer que, segunda a beijoqueira Diana, todas as mulheres desse mundo são, no mínimo, bi-sexuais, já que as hétero estão extintas. São “reflexões” desse tipo que os milhões de espectadores do BBB consomem todos os dias – além de partes íntimas à mostra e muita, mas muita mesmo, baboseira pronunciada pelos “heróis” do Pedro Bial.

É sabido que a função do Big Brother não é apenas divertir, como tentam justificar alguns fãs de ocasião. A conversa é bem mais embaixo: paira por interesses comerciais explícitos, pela relativização de valores sociais, da banalização da imoralidade. Tudo feito no mais alto padrão global, com direito a câmeras estrategicamente posicionadas, a fim de flagrar posições e situações eróticas, para alegria dos manés de plantão (os mesmo que gastam seu dinheiro votando em seus brothers prediletos, compram a playboy com as eliminadas mais bem dotadas e visitam o site do Paparasi, para ver em detalhes o que as câmeras da casa só mostraram rapidamente).

Antes que alguém venha me acusar de homofobia ou coisa do tipo, adianto-me a rebater, pois qualquer homossexual, transexual ou simpatizante de bom-senso saberia que o tal beijo lésbico do BBB é tão pré-fabricado quanto as celebridades descartáveis que vivem seus minutos de fama no programa. Acreditar que as beijoqueiras do Big Brother estão levantando uma bandeira contra o preconceito é, no mínimo, ridicularizar a discussão sobre o tema. O que estão em jogo, além, claro, de um pomposo prêmio em dinheiro para o(a) vencedor(a), são os dividendos que a polêmica pode render fora da casa. Gente, o óbvio é ululante: BBB é negócio, grana, muita grana às custas da imbecilidade de nós, brasileiros.

Voltando à “brilhante” constatação da tal Diana (a extinção das mulheres hétero), penso que a moça tenha chegado a essa conclusão motivada pela mesma idéia que levou o cartunista e cross-dressing Laerte a afirmar que as diferenças entre homens e mulheres são um dogma da sociedade. Ou seja, fruto de uma conveniência pessoal, baseada num ponto-de-vista e numa escolha, nos quais, logicamente, não cabem generalizações.

Mas, não me iludo (e nem almejo) em achar que todos vão concordar com meu ponto de vista. Afinal, que mal há em assistir ao BBB de vez em quando? - argumentariam alguns. Tudo bem, há gosto para tudo e gosto não se discute. Aliás, mais uma vez o óbvio ulula: lixos como o BBB existem porque o ser humano tem preguiça de pensar. Fazer o quê.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Exorcismo santo


Charge do cartunista Duke, de O Tempo (MG), publicada no site www.chargeonline.com.br.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nossa lista de prioridades

Como de costume, fazemos uma lista de prioridades para o novo ano. É quando constatamos que algumas dessas “prioridades” encabeçam a relação do ano passado de “metas imprescindíveis” a cumprir. Ou seja, mais uma vez adiamos o que deveria ser inadiável, não fosse a triste capacidade humana de postergar exatamente o que não deve.

Por exemplo: pelos meus planos, eu deveria, ao fim de 2010, estar pesando uns quatro quilos a menos, com direito a barriga zero. Sem falar no meu segundo livro de charges, que sairia do prelo, “sem falta”, no segundo semestre. Li e estudei bem menos do que planejara..., enfim, não vou chatear o leitor com outros itens não cumpridos “da minha lista de prioridades de 2010”. Além do mais, procuro ver sempre o lado bom das coisas: não precisarei fazer uma lista nova para este ano; vou reciclar a velha mesmo, com o cuidado de criar vergonha na cara para cumpri-la. Agora vai. Acredite(o) se quiser.

Mas, afinal, por que raios deixamos tanto para amanhã as coisas que se precisa fazer hoje? Por que estabelecemos metas como “prioritárias” se elas, no fundo, não são? Se realmente fossem, daríamos um jeito de cumpri-las. Ou não? Meses atrás, um homem confessou-me que, apesar de “querer muito estar na igreja”, não conseguia abandonar velhos hábitos, como o de fumar maconha diariamente, entre outros que considerava danoso à sua vida espiritual. Com algum conhecimento de causa, disse-lhe que o problema era que seu “querer muito estar na igreja” era bem menor que a sua vontade de continuar curtindo seu(s) cigarrinho(s) do capeta de todos os dias. Nesse caso, para haver a mudança desejada, ele precisaria restabelecer as suas prioridades - o que pode começar admitindo-se as atuais.

Noutro exemplo, em um culto de domingo pela manhã, acabara de pregar quando perguntei se havia alguém disposto a reconhecer a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Para minha alegria, uma jovem atendeu ao convite mas, antes de orarmos, ela revelou que há tempos vinha adiando aquela decisão, pois já freqüentava a igreja havia dois anos. Por dois anos anos aquele jovem adiou uma escolha por Jesus que, para mim - e talvez para ela mesma - deveria ser urgente!


Casos assim corroboram com minha tese de que somos especialistas em adiar prioridades, para privilegiarmos as facilidades. Ao escolhermos as coisas fáceis, empurramos para o fim da fila atitudes que, a rigor, representariam mudanças necessárias em nossa vida e, provavelmente, reforçariam nossa auto-estima e nossa fé.

Que em 2011 possamos inverter a ordem de importância de nossas atitudes, priorizando as realmente transformadoras. Em vez das coisas boas do mundo, busquemos as coisas excelentes de Deus. No lugar das facilidades, ajamos de forma a superar limites, ir além do óbvio, principalmente, em favor de um relacionamento mais íntimo com o Senhor, investindo numa busca pessoal consistente, sem máscaras e sem desculpas esfarrapadas do tipo “não tenho tempo”.

Tempo não nos falta. O que o ocorre é o mau uso dele. Deus nos concedeu o cronos suficiente para realizar não apenas os nossos planos, mas também para viver os planos Dele em nós. E que a lista de 2011 não se torne peça de reciclagem para 2012 - caso cheguemos até lá.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Por favor, me ame!

Na Grã-Bretanha, uma cadela carente (essa da foto) tem aulas para aprender a ser amada. Em país de primeiro mundo é assim, cachorro é um “ser humano” como outro qualquer e merece ser amado. A história é absolutamente verídica: uma cadela abandonada chamada Princess (Princesa, no português), de apenas 6 meses, está sendo adestrada para receber amor. O animal é tão arredio e assustado que os funcionários de um centro de resgate em Lancashire têm dificuldades para se aproximar dele. “Princess é a cadela mais triste que já conheci”, afirmou Neil Martin, um dos membros do centro, ao jornal Daily Mail. “Quando ela chegou, logo percebemos que ela nunca havia recebido amor. Nós tentamos animá-la com alguns brinquedos, mas ela tinha medo”, completou o dedicado e comovido tratador de animais.

Embora horripilante, Princess tem essa carinha de “por favor, eu preciso de amor” que vemos aí na foto. Ela sofre de uma doença que a deixa sem pelos e torna sua pele tão delicada que a impede de permanecer muito tempo ao ar livre, exposta ao frio e ao calor intensos. Além de artimanhas de psicologia animal, os tratadores estão utilizando no tratamento de Princesa uma série de medicamentos, incluindo uma droga que custa cerca de R$ 30,00 por dia. “O tratamento será custoso, mas não iremos parar. Nós queremos resolver o problema e dar a ela uma nova vida”, afirma Martin.

Quando li na net sobre a história da cadelinha inglesa carente de amor, pensei na realidade maciça de crianças pobres, em completo estado de miséria e abandono, de nosso emergente Brasil varonil. O contraste é absurdo. Enquanto na Grã-Bretanha um centro não mede esforços, nem grana, para fazer uma cadela carente sentir-se amada, no Brasil, uma multidão de crianças de rua passam despercebidas diante de nossos olhos – exceto, claro, em datas como o Natal, quando o inconsciente coletivo nos move a ser mais solidários e “amorosos” com nossos “irmãos”.

Quem sabe poderíamos fazer um estágio de como se tratar um ser carente com a equipe de tratadores de animais do tal centro de resgate em Lancashire, na Grã-Bretanha. Quem sabe conseguiríamos aprender a ser cativados pelo olhar “pidão” de uma criança que não teve a chance de aprender o que é ser amada. Quem sabe não mediríamos esforços para ensiná-la a receber carinho, sem parecer que desejamos alguma coisa em troca. Quem sabe investiríamos um pouco de nossos recursos – muitos deles gastos com supérfluos – para comprar medicamentos necessários para seu tratamento de ressocialização. Quem sabe até conseguiríamos tratar essas pessoas sem perspectivas de vida tão bem como os ingleses tratam seus cachorros de rua.

Mas, ainda bem que estamos no Brasil, não é verdade? Assim podemos deixar tudo como está. E tocar a vida como se a realidade não fosse com a gente.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal com paz, amor... e sem Noel


Ok, sabemos que Jesus Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro e que a data não tem embasamento bíblico. Tudo bem, mas isso não nos impede de pegar carona no clima de festividade que toma conta de boa parte do mundo nesta época do ano, para nos confraternizar com os amigos e, claro, desfrutar das guloseimas natalinas (mandamos às favas o pecado da gula neste período – só a graça). Muitos também aproveitam o momento para fazer caridade: alguns motivados por uma atitude sincera de amor; outros pensando em garantir um espacinho melhor no céu (coitados).

De uma forma ou de outra, o Natal é uma data que nos envolve – queiramos ou não – numa atmosfera de compaixão e reflexão. Sem falar que, não fosse o Natal, muitos talvez nem lembrassem que Jesus um dia veio em carne a este mundo – embora o rei da festança seja mesmo o Papai Noel. Certa feita, manifestei indiferença (para não dizer antipatia) pela figura do Papai Noel, no que um colega de trabalho, indignado, reprovou-me duramente: “Isso é falta de respeito!”. Cúma???!!!! – pensei, surpreso, à lá Didi Mocó. Prefiro não revelar o que eu penso sobre o Papai Noel, para não escandalizar seus milhares de fãs – inclusive no meio evangélico (lástima!).

Fiquemos, então, com o clima de confraternização que faz do Natal uma festa interessante. Assim sendo, aproveito para desejar boas-festas, amor, paz, alegria... a todos que visitaram o CrentePensante neste seu primeiro ano de existência. E que 2011 seja de abundante bênçãos e experiências novas com o nosso Senhor Jesus. Recebam meu abraço carinhoso, minhas considerações e meu agradecimento.

Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Natal “ungido”

É Natal. E nada como aproveitar a data para dar um presente “ungido” para quem você ama. Nesse caso, uma “boa pedida” é o óleo colorido da unção, ao preço de R$ 50,00. Pode parecer piada (de mau gosto), mas fui testemunha do fato. Certa feita, um “irmão” foi até a igreja, em pleno culto de domingo, oferecer seus produtos “abençoados”, que se tratavam de umas garrafas pet – de 600ml, salvo engano – cheias de um óleo colorido (rosa, verde, e azul..., ao gosto do cliente) com um rótulo tosco dizendo “Óleo da Unção” e uma etiqueta de preço (apenas R$ 50,00). Quando vi, não acreditei. Ri para não chorar. Será que tem gente que compra esse tipo de coisa?! – pensei. Pior que deve ter.

Outra opção natalina é levar a pessoa que você ama para o culto da unção com azeite ungindo no Jardim do Getsêmani. Essa eu ouvi numa rádio aqui da Ilha. “Venha receber uma unção especial e ser ungido com azeite consagrado pelos pastores da igreja tal no Jardim do Getsêmani, em Israel” – dizia o comercial. Uma verdadeira tentação à idolatria e à superstição. Perfeita para os adeptos do misticismo gospel. Ao invés da “água benta” milagrosa ou da “rosa ungida”, vá receber as gotículas do azeite do Getsêmani. É tiro e queda. Afinal, estamos falando do lugar onde Jesus, em agonia, suou gotas de sangue, antes de ser preso, açoitado e crucificado. Se o cliente der sorte, na saída do culto poderá adquirir seu próprio vidrinho de "azeite santo" para ungir o carro zero que o “Deus da prosperidade” vai lhe dar.

Neste Natal, não vão faltar opções de presentes criativos em uma igreja mística próxima de você. E aproveitando o ensejo, não deixe de comprar a sua roupar branca para o Reveillon ou, para os adeptos da teologia da prosperidade, um modelito amarelo ou dourado, que costuma “atrair” muita grana ao ano novo.