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terça-feira, 1 de março de 2011

“Marina” atrás do trio

Gente, depois do Tiririca, do Ronaldinho Gaúcho e da Dilma Rousseff, chegou a vez de Marina Silva ganhar uma máscara carnavalesca (foto) em sua “homenagem”. Sendo assim, a declaradamente evangélica ex-candidata à Presidência provavelmente terá “seu rosto” flagrado atrás de trios elétricos, se esbaldando em blocos de rua ou entornando todas nas dependências da Marquês de Sapucaí.

Pensando bem, eis uma grande oportunidade para aqueles “cristãos evangélicos” que adoram uma máscara nova. São os mesmos que encontram “base bíblica” para pisar o pé na lama no Carnaval e voltar para a igreja depois da farra com a consciência super-tranqüila - afinal, é como diz a velha marchinha carnavalesca: “o Carnaval é a invenção do diabo que Deus abençoou” (essa é a famosa me engana que eu gosto). Com a máscara da Marina, o crente-folião poderá chutar o pau da barraca à vontade, sem perder a “identidade” de crente. E crente famosa. Quer coisa melhor do que isso?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

É Carnaval, uuêêbbaa!!


“O Carnaval é como uma religião. Ir atrás do trio é como ir à igreja”. Essa foi mais ou menos a declaração recente do cantor e ex-ministro da cultura Gilberto Gil, definindo sua paixão pela folia de Momo.

Ouvi a ‘pérola’ do baiano ilustre, quis reagir de forma desaforada, mas controlei-me. Horas depois, conclui: “E não é que a frase do Gil pode ter lá um fundo de verdade”.

Senão vejamos: culturalmente falando, o Carnaval no Brasil é um período marcado pela liberalidade no qual “tudo é permitido”. Um tempo para extravasar a alegria e “soltar a franga” [alguns levam isso ao extremo, diga-se de passagem]. Vale tudo nessa época do ano, pregam os carnavalescos de plantão.

E o que a igreja tem a ver com isso? Tudo a ver. Façamos um comparativo [arriscado, admito] entre a igreja e um trio elétrico, como nos propõe o nosso intelectual ex-ministro. Tanto o trio quanto as igrejas têm na música um de seus atrativos principais. Responda sinceramente: as igrejas do século XXI estariam cheias do jeito que estão não houvesse o apelo da música evangélica e a profissionalização dos ministérios de louvor? No século XIX, Moody atraiu uma multidão de vidas para Jesus à base de Escola Bíblica Dominical. Palavra pura. Mas hoje, não consigo ver uma multidão de jovens empolgada a ir à igreja para assistir a uma aula sobre a Bíblia.

Tudo bem, reconheço que os louvores de hoje têm sido instrumento, até certo ponto, poderoso em favor do Reino, mas a discussão não é essa agora. Voltemos ao paralelo trio/igreja. Em ambos, corre-se o risco da idolatria. Enquanto multidões ensandecidas se espremem atrás do trio da Ivete Sangalo, multidões de crentes se acotovelam em busca da “bênça” do “profeta” “fulano-de-tal-do-fogo-puro”, da “Igreja do Milagre Obrigatório”. Ouvi dizer que tem crente brigando até por suor de pastor por aí! Se isso não for idolatria, não sei o que o é.

Na linha do “tudo pode”, igreja e trio tornam a se assemelhar. Enquanto os foliões beijam muuuiiinnntooo atrás do trio, tem crente beijando muuuuiiiiitooo por detrás dos panos. Afinal “tudo me é lícito, mas nem tudo me...” ah, o resto não importa, ninguém vai saber mesmo.
Em suma, o perigo é que muitos de nós temos encarado a igreja como Gil, tal e qual o Carnaval: um lugar para se divertir, paquerar, botar a máscara e cair na folia. Mas tem uma diferença vital. No Carnaval, depois dos três dias de fantasia muitos têm o desprazer da ressaca da vida real. Já na igreja, o “carnaval” pode durar toda uma vida, caso não tiremos a máscara - ou a venda dos olhos, como queiram - para enxergar Aquele que nos faz livre para viver a eterna folia da presença de Deus.