segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

“…and the Oscar goes to...”

O teatro anda em alta nas igrejas. Não, não estou falando dos muitos grupos dedicados às artes cênicas que, com muito valor e criatividade, fazem da interpretação teatral um recurso interessante para falar de Cristo. Refiro-me, com pesar, ao enorme rebanho de atores que povoam naves e púlpitos de nossas igrejas. Tratando-se de seres humanos (ô raça sínica essa a nossa!), ouso afirmar que não existe exceção: em toda igreja institucionalizada não faltam mambembes travestidos de cristãos.

Sabe o que é pior? Dificilmente algum de nós escapa ao risco de atuar, ainda que provisoriamente (os mais inteligentes pulam fora rapidinho), nesse grupo de artistas do Evangelho, pregadores do engano, testemunhas de araque. Não tenho pudores para falar sobre isso, porque considero saudável o hábito da auto-análise, da auto-crítica, a fim de não tropeçarmos na própria soberba ou na idéia equivocada de que estamos acima do bem e do mal.

Há muitas razões para estarmos propícios a usar máscaras. Todavia, vou ater-me a dois substantivos comuns no dia-a-dia de todo ser humano e responsáveis por grande parte dos jogos de cena que se vê por aí. São eles a mentira e a vaidade. Isso porque ambos, a certo passo da vida, acabam se tornando hábito e passam despercebidos (a olhos humanos).

Mentimos por esporte, sem querer, sem-querer-querendo e, claro, querendo mesmo. Sabe quando aquele flanelinha com jeito de poucos amigos vem pedir dinheiro, cheio de cachaça no cérebro, e a gente afirma, sem pestanejar, “estou sem dinheiro hoje”? Geralmente o dinheiro há, mas, por que não mentir para se sair de uma situação incômoda? O exemplo é simplório, mas serve para ilustrar o fato de como é fácil mentir diante de situações que nos constrange. Por que não mentir? Uma mentirinha não faz mal a ninguém. Deus há de perdoar. Afinal, “os fins justificam os meios” (ô frasezinha malévola! - outro dia escreverei sobre esse negócio de fins justificando os meios. Aguardem). Mentir será sempre a atitude menos inteligente diante de Deus.

Já a vaidade... ah!, a vaidade... “Meu pecado preferido”, declarou, com sorriso irônico, o personagem de Al Pacino no filme Advogado do Diabo. Ele interpreta Satanás no thriller e se diverte manipulando o vaidoso personagem de Keanu Reeves. Não é à toa que a palavra vaidade é usada tantas vezes na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Salomão, no ápice de sua maturidade, inicia Eclesiastes falando desse pecado perigoso, que sutilmente nos afasta da presença do Senhor e nos enforca em nós mesmos.

A vaidade é a necessidade que o homem tem de chamar atenção para si. Ela é um dos principais empecilhos entre o ser humano e a confissão de pecados. A vaidade nos impede de admitir erros. Confessar pecados - mesmo sabendo ser isso fundamental para o conserto -, coloca em xeque o conceito que os outros têm a nosso respeito. Muitos de nós preferem encobrir o pecado a ter sua máscara lançada fora. Acontece que Deus tem visão de raio-X (1 Samuel 16:7). Ele vê através da máscara. E “não se deixa escarnecer, porque tudo que o homem semear ele também ceifará. O que semear na carne... (Gálatas 6:7).

E assim o teatro tem seguido firme no ceio das congregações. Mas, a má notícia para os atores do Evangelho é que sempre haverá a ação consoladora e poderosa do Espírito Santo. E Ele é especialista em desmascarar falsos profetas e falsos discípulos. O dom do discernimento de espíritos é real na vida daqueles que O buscam. E nada há encoberto que não haja de revelar-se (Mateus 10:26). No popular: um dia a casa cai.

Enquanto isso não acontece, os crentes Cazuza (inventei essa agora) continuam vivendo a sua mentira como quem diz “faz parte do meu show”. Na platéia, o Diabo sorri, aplaude e pede bis. Enquanto o Espírito Santo chora.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É Natal, que beleza!

É Natal! Tempo de amar ao próximo, exercitar a solidariedade e esbanjar momentos de confraternização. Na sexta-feira última, entretanto, uma cena contrastou-se com esse espírito solidário que move o inconsciente coletivo. No flagrante do repórter fotográfico Diego Chaves, do jornal O Estado do Maranhão, um homem supostamente embriagado, estirado no meio da rua, não foi obstáculo para o cortejo natalino que passava pela Rua Grande, a mais movimentada do comércio de São Luís. Guiados pelo casal José e Maria, que carregava um boneco simbolizando o menino Jesus, dezenas de outros personagens devidamente caracterizados, entre pastores, reis magos, anjos e músicos, seguiam em animada batucada, celebrando o clima natalício. Sem perder o passo, nem o compasso, os artistas desviavam tranquilamente do homem estatelado no chão. Talvez a preocupação fosse a de não perturbar o “cochilo” do indivíduo, dentro do mais verdadeiro espírito solidário da época. Afinal, é Natal, ho, ho, ho.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A culpa é nossa


Tempos atrás, ser crente - melhor dizendo, protestante -, era coisa de gente esquisita, religiosa ao extremo, ou, na melhor hipótese, um tipo qualquer de carola, todavia, na maioria dos casos, pessoa séria e, quase sempre, confiável. Hoje, ser crente - melhor dizendo, evangélico, pior dizendo, gospel -, é para, os ímpios, sinônimo de toda sorte de adjetivo pejorativo, do irônico ao agressivo. E a culpa é de quem? Nossa, é claro.

Não pretendo aqui condenar gente sem noção, do tipo que curte se divertir à custa da fé dos outros e que, geralmente, fala sem conhecimento de causa, que nunca leu a Bíblia (se leu, não entendeu bulhufas) e apenas acha intelectualmente impressionável tirar onda dos cristãos. O propósito aqui, para variar, é centrar fogo no comportamento de nós, evangélicos, cuja vergonha na cara tem se tornado artigo em escassez.

Por exemplo: às vezes acho perda de tempo esse negócio de crente famoso ir a programa de televisão secular, sob a justificativa (ingênua, a meu ver) de evangelizar os descrentes. “A palavra nunca volta vazia”, costuma-se dizer, como que procurando desculpar-se pelo fato de estar sentado à roda de escarnecedores. Resultado: salvo honrosas exceções, o irmão famoso acaba alvo de chacota na boca dos ímpios.

Um caso recente foi o da cantora Sara Sheeva, entrevistada no programa Manhã Maior, da Rede TV. A pastora e ex-cantora do grupo SNZ revelou que sua conversão se deu após uma experiência sobrenatural: “Eu vi o mal. Eu vi dentro de uma pessoa" - afirmou. "Uma pessoa incorporou um espírito no meio da rua, na minha frente, e os meus olhos se abriram, espiritualmente falando", completou. Ela disse ainda estar sem sexo há 10 anos e sem beijar na boca há nove.

A turma do facebook deitou e rolou. O depoimento da pastora foi motivo de piada. E sobrou para todos os evangélicos. Fomos chamados de falsos puritanos, julgadores da vida alheia e claro, desequilibrados que precisam de ajuda psiquiátrica. Pergunto: será mesmo que o Reino de Deus precisa desse tipo de participação televisiva? O programa, claro, ganha em audiência. Mas, e a Palavra, foi mesmo pregada? Os descrentes foram mesmo impactados pelo testemunho de mudança? Ou a coisa toda serviu apenas para colocar o Evangelho como alvo de zombaria?

Nem se precisa dizer que há lugar, hora e maneira de se dizer as coisas, a fim de se atingir o objetivo desejado. Falar de coisas espirituais para ouvintes leigos no assunto, ateus, agnósticos ou simplesmente vazios do Espírito, ou mesmo arrogantes intelectualóides, é quase sempre chover no molhado.

Por outro lado, dia desses assisti a uma entrevista de Victor Belfor e Joana Prado ao apresentador Luciano Huck e gostei da postura dos dois. Sem apelar ao evangeliquês, disseram que a conversão foi a melhor coisa que aconteceu na vida deles e que a mudança se tornou evidente. O próprio Huck admitiu: “Mudou para melhor”, referindo-se à Joana, que ficou famosa como a Feiticeira em programa apresentado por ele. É assim que se faz. E quem quiser conhecer o Jesus que os transformou que venha. Ele está sempre de braços abertos.

A verdade é que são as atitudes e o caráter que mostram se uma pessoa é cristã ou não. Ir à igreja, pregar, cantar louvores ou dar entrevistas na televisão, gravar CD... nada disso faz de alguém um verdadeiro discípulo de Jesus. Aliás, ator é o que não falta no meio evangélico. Tem gente que consegue até separar bem as coisas: “Na igreja sou cristão, fora dela faço o jogo do mundo”. Coitado de quem pensa assim. Cristo nos ensina a ser discípulos onde quer que estejamos. É justamente fora da igreja onde eu mais preciso dar testemunho de quem eu sou Nele.

Não precisamos agir como juízes do mundo, nem tentar parecer puritanos ou, muitas vezes, hipócritas diante do pecado alheio, para mostrar que somos evangélicos. Temos que ser verdadeiros, com nossos erros e acertos, arrependendo-nos diante do pecado, perdoado e estendendo a mão a quem precisa se levantar. Pregar o Evangelho é tarefa de todos, aproveitando cada oportunidade. Até mesmo, com a devida prudência, em programas de televisão. Mas, um pouco de cabimento não faz mal a ninguém. Lembram da Baby do Brasil mostrando ao Jô Soares como se fala em línguas estranhas? Ninguém merece! O Jô (que de modéstia intelectual não tem nada) tirou sarro do início ao fim da entrevista.

É bom que fique claro: não me importo com os comentários vazios e escarnecedores dos descrentes. O que me incomoda é a nossa falta de noção quando esquecemos de buscar em Cristo a forma mais inteligente de pregar o Evangelho. O que, aliás, às vezes nem precisa de palavras.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor que não cabe em si

Ok, sei que o blog está jogada às traças. Tive que priorizar algumas atividades (vide foto) e creiam, não está sobrando cabeça para o CrentePensante. Em breve (espero), espero  voltar a abrir o verbo por aqui contra os vendilhões do templo e as esquisitices evangélicas que azucrinam o povo de Deus.

Por hora, publico o flagrante deste pai, completamente idiotizado, que vos fala. Diz aí: qual pai não ficaria abobalhado com uma princesinha assim dormindo no seu ombro. Traduzindo o sentimento que Sofia me causa: amor que não cabe em si.

Deus abençoe a todos. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sofia em meu mundo


Eu pensava que babar, corujar, abobalhar, mimar seriam infinitivos comuns na minha rotina de pai de primeira viagem. Mas a coisa ficou mais séria do que eu imaginava.

Evidentemente, projetava uma ideia de como é ser pai. O amor, o cuidado, o carinho, a preocupação..., enfim, o pacote típico de toda figura paterna - seja ela um estreante (meu caso) ou veterano nessa árdua tarefa. Todavia, o impacto de ter Sofia diante de meus olhos, segurar aquela pequena/grande criatura do Pai celestial, foi muito além do que palavras poderiam verbalizar. Talvez as lágrimas e a cara de apaixonado tenham traduzido de alguma forma.

Tenho aprendido muito com ela. Desde os primeiros instantes, do primeiro choro, ainda na sala de cirurgia, à vigília da última madrugada. Lições que não se aprendem na teoria, só vivendo.

Há poucos dias, estava no limite do cansaço. Seis noites seguidas quase sem dormir. Compreendi o sentido da expressão “dormindo acordado”. Mesmo quando cochilava, o mínimo ruído vindo do berço de Sofia me soava como o mais estridente despertador. Preocupação ao extremo! Relaxar? Impossível. Até que numa das minhas rondas noturnas no quarto dela, ao vê-la dormir, tranquila, soprou-me ao ouvido a voz interior que me fez lembrar da prerrogativa dos filhos de Deus de poderem descansar Nele. Logo eu, que tantas vezes li, preguei e aconselhei me valendo desse básico direito outorgado aos que creem. Enquanto me afligia, preocupado com o bem-estar da minha filhota, com as contas a pagar...,impotente por não poder fazer além do que estava ao meu alcance, ela dormia, cândida. Soou-me o Salmo 127, versos 2 e 3: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus Ele o dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão”.

Creio que Jesus, ao ensinar a seus discípulos a serem como os pequeninos, também referia-se à forma como as criancinhas, e só elas, conseguem descansar – certamente pela própria condição de dependentes que são. Pois é, o semblante de Sofia dormindo, me ensinou bem mais que as muitas elucubrações teológicas ao longo de minha, ainda menina, vida de pastor.

A propósito, a foto dela aí em cima fala por si. É ou não é?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Jesus, me ajude

Pois é, meus amados. Estou mesmo sumido da blogosfera, mas tenho buas razões para tanto. Faltam apenas 16 dias para a chegada de Sofia e, na escolha das prioridades, o CrentePensante acabou dançando (pelo menos por um tempo). Ontem, por recomendação de uma amiga do trabalho, deparei-me com esse vídeo. Assistam e orem por mim.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Colunista da Folha de São Paulo compara a Marcha Para Jesus com a Parada Gay

Detalhe da Marcha para Jesus 2011, em São Paulo
Raramente publico artigos de terceiros no CP. Dessa forma, responsabilizo-me por minhas elucubrações e recebo os comentários e pedradas que houver de receber por elas. Todavia, vez por outra, destaco textos que considero interessantes e que se encaixam na linha de pensamento do blog, caso deste que surrupiei do GNotícias. Vale conferir.

Por Rafael Porto

O colunista da Folha de São Paulo, Revista Veja e da Rádio CBN, Gilberto Dimenstein, causou polêmica nesta semana ao escrever em seu blog o texto “São Paulo é mais gay ou evangélica?”. Na análise, o jornalista argumenta que “os gays usam a alegria para falar e se manifestar”, enquanto “a parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade”.

Dimenstein foi criticado por outro conhecido colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, que em seu blog classificou o texto como “tolo”, “burro”, “falacioso” e “preconceituoso”, rebatendo, linha por linha, todas as afirmações contidas no artigo de Gilberto Dimenstein. “Há uma diferença que a estupidez do texto de Dimenstein não considera: são os militantes gays que querem mandar os evangélicos para a cadeia, não o contrário”, argumenta Azevedo.

Abaixo você confere a íntegra do artigo de Gilberto Dimenstein:

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da ideia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários. Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança. Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertas com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

Nada contra – muito pelo contrário– o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.

Abaixo agora a resposta de Reinaldo Azevedo comentando em chaves o texto do colunista da Folha:

Gilberto Dimenstein, para manter a tradição — a seu modo, é um conservador, com sua mania de jamais surpreender —, resolveu dar mais uma contribuição notável ao equívoco ao escrever hoje na Folha Online sobre a Marcha para Jesus e sobre a parada gay.

São Paulo é mais gay ou evangélica?

{Sem qualquer investimento voluntário na polissemia, é um texto tolo de cabo a rabo; do título à última linha. São Paulo nem é “mais gay” nem é “mais evangélica”. Fizesse tal consideração sentido, a cidade é “mais heterossexual” e “mais católica”, porque são essas as maiorias, embora não-militantes. Ora, se a diversidade é um dos aspectos positivos da cidade, como sustenta o articulista, é irrelevante saber se a cidade é “mais isso” ou “mais aquilo”, até porque não se trata de categorias excludentes. Se número servisse para determinar o “ser” da cidade — e Dimenstein recorre ao verbo “ser” —, IBGE e Datafolha mostram que os cristãos, no Brasil, ultrapassam os 90%.}

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da idéia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.

{Nessas poucas linhas, o articulista quer afastar a suspeita de que seja preconceituoso. Está, vamos dizer assim, preparando o bote. Vamos ver.}

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

{Está tudo errado! Pra começo de conversa, que história é essa de que “é um direito” dos evangélicos “não respeitar” os direitos dos gays? Isso é uma boçalidade! Nenhum evangélico reivindica o “direito” de “desrespeitar direitos” alheios. A frase é marota porque embute uma acusação, como se evangélicos reivindicassem o “direito” de desrespeitar os outros.}

{Agora vamos ver quem quer tirar o direito de quem. O tal PLC 122, por exemplo, pretende retirar dos evangélicos — ou, mais amplamente, dos cristãos — o direito de expressar o que suas respectivas denominações religiosas pensam sobre a prática homossexual. Vale dizer: são os militantes gays (e não todos os gays), no que concerne aos cristãos, que “reivindicam uma sociedade com menos direitos e menos diversidade”. Quer dizer que a era da afirmação das identidades proibiria cristãos, ou evangélicos propriamente, de expressar a sua? Mas Dimenstein ainda não nos ofereceu o seu pior. Vem agora.}

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

{Milhões de evangélicos se reuniram ontem nas ruas e praças, e não se viu um só incidente. A manifestação me pareceu bastante alegre, porém decorosa. Para Dimenstein, no entanto, a “alegria”, nessa falsa polarização que ele criou entre gays e evangélicos, é monopólio dos primeiros. Os segundos seriam os monopolistas do “ranço um tanto raivoso”. Ele pretende evidenciar o que diz por meio da locução conjuntiva causal “já que”, tropeçando no estilo e no fato. A marcha evangélica, diz, “faz ataques a diversos segmentos da sociedade” — neste ano, “o STF”. O democrata Gilberto Dimenstein acredita que protestar contra uma decisão da Justiça é prova de ranço e intolerância, entenderam? Os verdadeiros democratas sempre se contentam com a ordem legal como ela é. Sendo assim, por que os gays estariam, então, empenhados em mudá-la? No fim das contas, para o articulista, os gays são naturalmente progressistas, e tudo o que fizerem, pois, resulta em avanço; e os evangélicos são naturalmente reacionários, e tudo o que fizerem, pois, resulta em atraso. Que nome isso tem? PRECONCEITO!}

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários.

{Bem, chego a duvidar que Gilberto Dimenstein estivesse sóbrio quando escreveu essa coluna. Não há?}

Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança.

{Em qualquer país do mundo democrático, questões religiosas e morais se misturam ao debate eleitoral, e isso é parte do processo. Políticos também desfilam nas paradas gays, como todo mundo sabe.}

Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertar com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

{Todos sabem que o PT é o grande incentivador dos movimentos gays. Como é notório, trata-se de um partido acima de qualquer suspeita, jamais envolvido em falcatruas, que pauta a sua atuação pelo mais rigoroso respeito às leis, aos bons costumes e à verdade.}

Nada contra –muito pelo contrário– o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

{Gilberto Dimenstein precisa estudar o emprego do infinitivo flexionado. A inculta e bela virou uma sepultura destroçada no trecho acima. Mas é pior o que ele diz do que a forma como diz. Que história é essa de “nada contra”? Sim, ele escreve um texto contra o direito de manifestação dos evangélicos. O fato de ele negar que o faça não muda a natureza do seu texto. Ora, vejam como os militantes gays são bonzinhos — querem que todos sejam alegres —, e os evangélicos são maus: pretendem tolher a livre manifestação do outro. SÓ QUE HÁ UMA DIFERENÇA QUE A ESTUPIDEZ DO TEXTO DE DIMENSTEIN NÃO CONSIDERA: SÃO OS MILITANTES GAYS QUE QUEREM MANDAR OS EVANGÉLICOS PARA A CADEIA, NÃO O CONTRÁRIO. São os movimentos gays que querem rasgar o Artigo 5º da Constituição, não os evangélicos.}

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.

{Hein??? A conclusão, obviamente, não faz o menor sentido nem decorre da argumentação. Aquele “portanto” dá a entender que o autor demonstrou uma tese. Bem, por que a conclusão de um texto sem sentido faria sentido? Termina tão burro e falacioso como começou.}