sexta-feira, 25 de março de 2011

Minha fé racional-espiritual

Sujeito a levar bordoadas de alguns leitores, aí vai um pensamento meu para reflexão:
“Para que haja uma conversão plena, é preciso que esta se dê não apenas no âmbito espiritual, mas também no intelectual”.

Amparo esse pensamento na forma como Jesus lidava com seus discípulos. Embora tivesse a evidente preocupação de orientar os apóstolos a evoluírem na fé, Ele claramente os encorajava a crescerem também no intelecto. Não são poucas as passagens na Bíblia em que vemos o Senhor provocando seus seguidores a usarem da “cuca”. Com sua maneira peculiar de ensinar, instigava-os a questionar e a buscar o conhecimento, principalmente nas Escrituras.

Em Atos 4:13, por exemplo, vemos um Sinédrio maravilhado com a forma de falar de Pedro e João, outrora simples e iletrados pescadores, mas à ocasião eloqüentes e firmes defensores de sua fé em Cristo. Considera-se, obviamente, o fato de os apóstolos serem homens cheios do Espírito Santo, o que lhes garantia a convicção e o poder espiritual necessários à obra a qual foram designados. Entretanto, é também notória a maturação intelectual daqueles discípulos, cujas palavras evidenciaram, diante dos líderes religiosos, o fato de que eles haviam aprendido a lição do Mestre.

Não é à-toa que a Palavra nos ensina a crescer não apenas na graça, mas também no conhecimento e, assim, permanecermos firmes na fé e no Evangelho do Senhor (2 Pedro 3:18). Amiúde, vejo pessoas rendendo-se às boas-novas de Jesus e, com isso, dando passos em direção a uma experiência de fé. Todavia, muitos passam a trilhar esse caminho de forma sinuosa, com o intelecto adormecido - seja pela falta de um discipulado sistemático ou por força de doutrinas que alimentam, no cristão, uma fé sensorial, baseada em emoções. Assim, é comum observamos crentes que ainda pensam como descrentes, cambaleantes em suas convicções, inseguros de raciocínio lógico sobre a própria crença. Resultado disso? Faltam-lhes argumentos que os tornem, na prática, defensoras autênticas de Cristo e de seus ensinamentos, além de carecerem de segurança para evangelizar outras pessoas, pois seu conhecimento acaba tão superficial quanto a sua fé. 

Para concluir, recorro à intelectualidade espiritual de Paulo. Quando o apóstolo alerta seus discípulos, em 1 Coríntios 13:11, sobre a diferença de atitudes entre um menino e um homem, interpreto que uma fé legitimamente madura precisa deixar de lado as  meninices, as fábulas, as invencionices, para estar firmada no co¬nhe¬cimento e no posiciona¬mento crítico-reflexivo sobre as verdades do Evangelho. De outro modo, corremos o risco de nos tornar homens de coração dobre, levados por qualquer vento de doutrina (Tiago 1:6-8), muitas vezes afun¬dados na superficialidade (perdoem-se o contra-senso poético) de um legalismo sem sentido, que nos priva da razão libertária de Cristo. 

(E os que, baseados nessa reflexão, pensarem que eu não acredito em milagre, na manifestação sobrenatural do Espírito Santo e no poder da fé é porque não entenderam direito o que eu quis dizer. Fazer o quê.)

terça-feira, 1 de março de 2011

“Marina” atrás do trio

Gente, depois do Tiririca, do Ronaldinho Gaúcho e da Dilma Rousseff, chegou a vez de Marina Silva ganhar uma máscara carnavalesca (foto) em sua “homenagem”. Sendo assim, a declaradamente evangélica ex-candidata à Presidência provavelmente terá “seu rosto” flagrado atrás de trios elétricos, se esbaldando em blocos de rua ou entornando todas nas dependências da Marquês de Sapucaí.

Pensando bem, eis uma grande oportunidade para aqueles “cristãos evangélicos” que adoram uma máscara nova. São os mesmos que encontram “base bíblica” para pisar o pé na lama no Carnaval e voltar para a igreja depois da farra com a consciência super-tranqüila - afinal, é como diz a velha marchinha carnavalesca: “o Carnaval é a invenção do diabo que Deus abençoou” (essa é a famosa me engana que eu gosto). Com a máscara da Marina, o crente-folião poderá chutar o pau da barraca à vontade, sem perder a “identidade” de crente. E crente famosa. Quer coisa melhor do que isso?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Jesus nas universidades

“Por que Jesus não pode entrar nas universidades?”. Esse o tema da 2ª Jornada Acadêmica Cristã, cuja meta é ampliar a visão e os conhecimentos daqueles que estão envolvidos, direta ou indiretamente, no meio acadêmico. A jornada acontece até sábado (21), na sede da Sociedade dos Artistas Evangélicos do Maranhão (Saem), a partir das 18h.

Em sua segunda edição, a Jornada Acadêmica Cristã debate temas instigantes como “Estratégias de Evangelismo Radical”, com o Pr. Ivan, de Brasília, conhecido como “Pastor Insano”, “Leis Anti-cristãs”, com o deputado Lourival Mendes, “Cristo versus Ciências”, entre outros. Além dos debates, a programação inclui apresentações culturais.

O projeto é uma iniciativa do Comitê Internacional de Proteção aos Cristãos Perseguidos e do Movimento Universitário de Evangelismo (Mude), que realiza eventos e reuniões de evangelismo dentro das universidades de São Luís. Entre os organizadores do projeto, estão estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA(, Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Faculdade Atenas Maranhense (Fama) e Uniceuma.

A sede da Saem, onde acontece o evento, fica na Avenida Joaquim Mochel, 51, Cohatrac IV. A entrada é livre. Para mais informações, entrar em contato pelo e-mail jornadacrista@gmail.com ou pelo telefone (98) 8866-7306.

Nota do editor:
Iniciativas assim mostram que o cristianismo está mais inserido nas universidades do que muitos pensam. O meio acadêmico tem, cada vez mais, compreendido o valor dos ensinamentos de Cristo e a importância da Bíblia na formação intelectual e moral da sociedade. Louvo a Deus por atitudes como essa, a qual, penso eu, não se mostra interessada em levantar bandeiras denominacionais, mas na formação de uma igreja pensante, consciente e preparada intelectualmente para cumprir seu papel nesse mundo.  

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Será possível sermos um?

Em meio à pluralidade de denominações cristãs em nossos dias, fica difícil conciliar um pensamento de unidade que possa se aproximar do modelo original observado na igreja primitiva. As diferenças doutrinárias, teológicas e culturais não são poucas. Do ré-té-té ao tradicionalismo radical, do presbiterianismo ao neo-pentecostalismo, pairam particularidades capazes de confundir o juízo de qualquer cristão.

Há quem veja pontos positivos nessas diferenças, afinal, “o importante é falarmos de Jesus” – diriam os conciliadores. Complicado, entretanto, é saber se o Jesus de que se fala em certas igrejas é o mesmo das Sagradas Escrituras, ou é um “Jesus” pré-moldado para atender a conveniências pessoais. Convém frisar a impossibilidade, a meu ver, de unidade entre igrejas coerentes com a Palavra e outras que agridam frontalmente as Escrituras, em nome de suas doutrinas de homens e da idolatria religiosa.

Pergunto: Diante de tantas diferenças, será possível encontrar um ponto de convergência que justifique o fato sermos todos irmãos, salvos no mesmo (e único caminho) Jesus? Sem dúvida que sim, pois a graça, mediante a fé no Cristo que se fez carne, morreu e ressuscitou, é o que nos credencia à salvação, e não essa ou aquela instituição religiosa.

Apesar do crescimento do número de evangélicos no Brasil e do nascimento indiscriminado de novas igrejas no país, alegro-me na certeza de que denominações sérias e alicerçadas na Palavra estão se fortalecendo e investindo na formação de ceifeiros pensantes, movidos pela convicção da graça e de Reino. Vibro quando vejo igrejas esquecendo as diferenças teológicas, derrubando barreiras hermenêuticas, pela unidade do corpo.

Penso nisso, e me vem à mente a passagem em que Jesus menciona “a porta estreita que leva à vida” (Mt 7:14). Ao que se sabe, a Bíblia não menciona placas denominacionais acima da porta estreita. Logo, há um chamado salvífico comum para a igreja-noiva, a igreja-corpo do Senhor. Enquanto isso, as diferenças continuarão por gerar bons debates teológicos por aqui. Mas, sem jamais esquecermos da graça que nos faz um só em Cristo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bíblia para quem precisa

Tempos atrás, fui convidado a pregar em um povoado da cidade de São Domingos do Maranhão (a 400km de São Luís), um lugarejo de pessoas muito simples e carentes de recursos financeiros. Lá fui eu, feliz da vida! Enquanto o dirigente do culto fazia a abertura, percebi muitas pessoas sem a Bíblia. Solícito, ofereci a minha imponente Bíblia de Estudo a uma senhora que estava próxima a mim. Ela, meio envergonhada, respondeu-me: "Eu não sei ler, não senhor".

Eu, que havia planejado ministrar uma determinada mensagem, recorri, meio sem jeito (e aperreado) ao Espírito Santo, pois só Ele poderia me dar as palavras certas, com a simplicidade verdadeira do Evangelho, para pregar àquelas pessoas, numa linguagem na qual elas pudessem compreender. Foi um culto marcante na minha vida, pessoas se converteram, e sai dali diferente e pensativo.

Hoje, criticamos muito aqueles que distorcem a essência da Palavra, com heresias e invencionices de todo tipo, mas não podemos esquecer que "falar grego" para parecer culto, ou, como certos pregadores, pregar trechos e mais trechos "em línguas estranhas", para parecer ungido, não cumpre em nada o básico mandamento do "ide e pregai o evangelho a toda criatura".

Vez em quando, ainda esqueço da lição que aprendi naquele lugarejo, no interior do Maranhão, e profiro algumas palavras pomposas. Daí me lembro da simplicidade de Jesus e reconheço o quanto ainda preciso aprender a depender mais do Espírito Santo, sem o qual nenhuma palavra ministrada, seja ela de difícil ou fácil compreensão, teria sentido.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“Evangelho” para boi dormir

A coisa está feia, irmãos. Não foi à toa que Deus nos advertiu, desde tempos idos, sobre o perigo da falta de conhecimento (Os 4:6). Quando estamos recém-convertidos, somos tal esponjas em poça d’água, absorvemos tudo, sem a devida noção de certo e errado, ávidos pelo novo de Deus. Mas, aqueles que prosseguem na caminhada, os mais atentos e questionadores, logo descobrem que nem tudo o que se ouve por aí tem fundamento bíblico - ou qualquer fundamento.

Veja bem: quero excluir desse comentário as clássicas quizilas teológicas entre arminianos e calvinistas, ou mesmo velhas pendengas doutrinárias entre assembleianos e presbiterianos, pentecostais e batistas tradicionais, as quais, via de regra, pairam no universo da hermenêutica, mas com seus respectivos amparos nas Escrituras Sagradas. Quero centrar fogo aqui nas invencionices que se vê por aí, fruto da “criatividade” ou da imaginação (in)fértil de certos pregadores. Chamo-as de “evangelho” para boi dormir, para enganar trouxa e desviar a atenção do Caminho.

Nessa ceara, vemos os mais escabrosos absurdos, desde rosa ungida, “água benta” gospel, óleo santo do Monte das Oliveiras... entre outros amuletos, que em pouco se diferem de objetos místicos como pé de coelho, figa, trevo de quatro folhas ou cristais. Inventar talismãs milagrosos é contribuir com a formação de crentes supersticiosos, místicos, adestrados à idolatria de objetos e de falsos profetas.

Cito ainda pregações acerca de revelações miraculosas, no estilo toma-la-dá-cá, que garantem “bênção extra” àqueles que ofertarem altas quantias, sempre ao comando do “profeta” (estilo Mike Murdock, Morris Cerullo e Cia.).

Há ainda um perigo velado, alheio aos menos observadores e perfeito aos recebedores de bênçãos. Trata-se da prática de se pregar palavras ou idéias que não estão na Bíblia como se estivessem. Um exemplozinho clássico: “A Bíblia diz que o cair é do homem o levantar é de Deus”. Frases como essas são até “aceitáveis” dentro de um contexto ilustrativo, mas jamais precedida da afirmação “a Bíblia diz”, porque não diz. O que a Bíblia diz é: “(...)se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Ap 22:18). E ainda: “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando (Dt: 4:2).

Sei que essa conversa não é nova. Aliás, o assunto é recorrente entre apologistas e estudiosos cristãos (recomenda-se “Erros que os Pastores devem evitar”, de Ciro Zibordi). Mas, volta e meia, vale lembrar o compromisso que se deve ter com o bom ensino da Palavra, com a doutrina apostólica, com o evangelho genuíno. Dizer que a Bíblia diz o que ela não diz é enganar os ouvintes, é dar mau testemunho, sem falar no risco de o pregador parecer pouco conhecedor das Escrituras.

Como igreja, temos um papel crucial na formação de cristãos firmados na verdade de Cristo, na solidez do aprendizado constante da Palavra (Os 6:3). Nessa missão, inclua-se a postura de não se omitir acerca do evangelho da cruz, do arrependimento, o que se difere radicalmente do “evangelho” açucarado de alguns líderes, preocupados em garantir números e numerários pomposos a suas igrejas. Fico pensando se certos pastores (ou apóstolos, bispos, etc), com suas aeronaves, carros importados, gordas contas bancárias e seus milhões de seguidores, conseguirão passar pela porta estreita (Mt 7:13) com tanta gordura “santa” a queimar. Enfim, cada qual sabe a missão que tem. É ou não é?

sábado, 29 de janeiro de 2011

ImBBBecilidades em horário nobre

Que o BBB é uma escória da TV Brasileira, muitos com o mínimo de massa encefálica ativa hão de concordar. E nada que venha da tal casa dos brothers me causa espanto. Embora não seja telespectador do nefasto reality global, acabo sabendo, via globo.com (um dos sites que visito diariamente), de algumas peripécias dos “geniais” participantes da edição atual do programa. Recentemente, uma novidade foi um alardeado primeiro beijo lésbico da história do BBB. Ohhhh! Que grande feito!!!!

A fim de comentar o episódio, arrisquei-me a ler o texto com a “fantástica” notícia. Descobri, então, que o beijo “revolucionário” foi entre as participantes Diana e Michelly, não sei bem em que situação, porque não tive estômago para ler a reportagem até o fim. Mas li o suficiente para deparar-me com a “brilhante” declaração que a tal Diana teria dito antes de entrar na casa: “Eu não chego em mulher, elas é que chegam em mim”, afirmou a “filósofa” big sister. Em seguida, arrematou com esta pérola: “As mulheres que eu mais fico são ‘heterossexuais’. Não existe mais mulher hétero, todas são curiosas”.

Vê-se o nível da coisa. Quer dizer que, segunda a beijoqueira Diana, todas as mulheres desse mundo são, no mínimo, bi-sexuais, já que as hétero estão extintas. São “reflexões” desse tipo que os milhões de espectadores do BBB consomem todos os dias – além de partes íntimas à mostra e muita, mas muita mesmo, baboseira pronunciada pelos “heróis” do Pedro Bial.

É sabido que a função do Big Brother não é apenas divertir, como tentam justificar alguns fãs de ocasião. A conversa é bem mais embaixo: paira por interesses comerciais explícitos, pela relativização de valores sociais, da banalização da imoralidade. Tudo feito no mais alto padrão global, com direito a câmeras estrategicamente posicionadas, a fim de flagrar posições e situações eróticas, para alegria dos manés de plantão (os mesmo que gastam seu dinheiro votando em seus brothers prediletos, compram a playboy com as eliminadas mais bem dotadas e visitam o site do Paparasi, para ver em detalhes o que as câmeras da casa só mostraram rapidamente).

Antes que alguém venha me acusar de homofobia ou coisa do tipo, adianto-me a rebater, pois qualquer homossexual, transexual ou simpatizante de bom-senso saberia que o tal beijo lésbico do BBB é tão pré-fabricado quanto as celebridades descartáveis que vivem seus minutos de fama no programa. Acreditar que as beijoqueiras do Big Brother estão levantando uma bandeira contra o preconceito é, no mínimo, ridicularizar a discussão sobre o tema. O que estão em jogo, além, claro, de um pomposo prêmio em dinheiro para o(a) vencedor(a), são os dividendos que a polêmica pode render fora da casa. Gente, o óbvio é ululante: BBB é negócio, grana, muita grana às custas da imbecilidade de nós, brasileiros.

Voltando à “brilhante” constatação da tal Diana (a extinção das mulheres hétero), penso que a moça tenha chegado a essa conclusão motivada pela mesma idéia que levou o cartunista e cross-dressing Laerte a afirmar que as diferenças entre homens e mulheres são um dogma da sociedade. Ou seja, fruto de uma conveniência pessoal, baseada num ponto-de-vista e numa escolha, nos quais, logicamente, não cabem generalizações.

Mas, não me iludo (e nem almejo) em achar que todos vão concordar com meu ponto de vista. Afinal, que mal há em assistir ao BBB de vez em quando? - argumentariam alguns. Tudo bem, há gosto para tudo e gosto não se discute. Aliás, mais uma vez o óbvio ulula: lixos como o BBB existem porque o ser humano tem preguiça de pensar. Fazer o quê.