segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nossa lista de prioridades

Como de costume, fazemos uma lista de prioridades para o novo ano. É quando constatamos que algumas dessas “prioridades” encabeçam a relação do ano passado de “metas imprescindíveis” a cumprir. Ou seja, mais uma vez adiamos o que deveria ser inadiável, não fosse a triste capacidade humana de postergar exatamente o que não deve.

Por exemplo: pelos meus planos, eu deveria, ao fim de 2010, estar pesando uns quatro quilos a menos, com direito a barriga zero. Sem falar no meu segundo livro de charges, que sairia do prelo, “sem falta”, no segundo semestre. Li e estudei bem menos do que planejara..., enfim, não vou chatear o leitor com outros itens não cumpridos “da minha lista de prioridades de 2010”. Além do mais, procuro ver sempre o lado bom das coisas: não precisarei fazer uma lista nova para este ano; vou reciclar a velha mesmo, com o cuidado de criar vergonha na cara para cumpri-la. Agora vai. Acredite(o) se quiser.

Mas, afinal, por que raios deixamos tanto para amanhã as coisas que se precisa fazer hoje? Por que estabelecemos metas como “prioritárias” se elas, no fundo, não são? Se realmente fossem, daríamos um jeito de cumpri-las. Ou não? Meses atrás, um homem confessou-me que, apesar de “querer muito estar na igreja”, não conseguia abandonar velhos hábitos, como o de fumar maconha diariamente, entre outros que considerava danoso à sua vida espiritual. Com algum conhecimento de causa, disse-lhe que o problema era que seu “querer muito estar na igreja” era bem menor que a sua vontade de continuar curtindo seu(s) cigarrinho(s) do capeta de todos os dias. Nesse caso, para haver a mudança desejada, ele precisaria restabelecer as suas prioridades - o que pode começar admitindo-se as atuais.

Noutro exemplo, em um culto de domingo pela manhã, acabara de pregar quando perguntei se havia alguém disposto a reconhecer a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Para minha alegria, uma jovem atendeu ao convite mas, antes de orarmos, ela revelou que há tempos vinha adiando aquela decisão, pois já freqüentava a igreja havia dois anos. Por dois anos anos aquele jovem adiou uma escolha por Jesus que, para mim - e talvez para ela mesma - deveria ser urgente!


Casos assim corroboram com minha tese de que somos especialistas em adiar prioridades, para privilegiarmos as facilidades. Ao escolhermos as coisas fáceis, empurramos para o fim da fila atitudes que, a rigor, representariam mudanças necessárias em nossa vida e, provavelmente, reforçariam nossa auto-estima e nossa fé.

Que em 2011 possamos inverter a ordem de importância de nossas atitudes, priorizando as realmente transformadoras. Em vez das coisas boas do mundo, busquemos as coisas excelentes de Deus. No lugar das facilidades, ajamos de forma a superar limites, ir além do óbvio, principalmente, em favor de um relacionamento mais íntimo com o Senhor, investindo numa busca pessoal consistente, sem máscaras e sem desculpas esfarrapadas do tipo “não tenho tempo”.

Tempo não nos falta. O que o ocorre é o mau uso dele. Deus nos concedeu o cronos suficiente para realizar não apenas os nossos planos, mas também para viver os planos Dele em nós. E que a lista de 2011 não se torne peça de reciclagem para 2012 - caso cheguemos até lá.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Por favor, me ame!

Na Grã-Bretanha, uma cadela carente (essa da foto) tem aulas para aprender a ser amada. Em país de primeiro mundo é assim, cachorro é um “ser humano” como outro qualquer e merece ser amado. A história é absolutamente verídica: uma cadela abandonada chamada Princess (Princesa, no português), de apenas 6 meses, está sendo adestrada para receber amor. O animal é tão arredio e assustado que os funcionários de um centro de resgate em Lancashire têm dificuldades para se aproximar dele. “Princess é a cadela mais triste que já conheci”, afirmou Neil Martin, um dos membros do centro, ao jornal Daily Mail. “Quando ela chegou, logo percebemos que ela nunca havia recebido amor. Nós tentamos animá-la com alguns brinquedos, mas ela tinha medo”, completou o dedicado e comovido tratador de animais.

Embora horripilante, Princess tem essa carinha de “por favor, eu preciso de amor” que vemos aí na foto. Ela sofre de uma doença que a deixa sem pelos e torna sua pele tão delicada que a impede de permanecer muito tempo ao ar livre, exposta ao frio e ao calor intensos. Além de artimanhas de psicologia animal, os tratadores estão utilizando no tratamento de Princesa uma série de medicamentos, incluindo uma droga que custa cerca de R$ 30,00 por dia. “O tratamento será custoso, mas não iremos parar. Nós queremos resolver o problema e dar a ela uma nova vida”, afirma Martin.

Quando li na net sobre a história da cadelinha inglesa carente de amor, pensei na realidade maciça de crianças pobres, em completo estado de miséria e abandono, de nosso emergente Brasil varonil. O contraste é absurdo. Enquanto na Grã-Bretanha um centro não mede esforços, nem grana, para fazer uma cadela carente sentir-se amada, no Brasil, uma multidão de crianças de rua passam despercebidas diante de nossos olhos – exceto, claro, em datas como o Natal, quando o inconsciente coletivo nos move a ser mais solidários e “amorosos” com nossos “irmãos”.

Quem sabe poderíamos fazer um estágio de como se tratar um ser carente com a equipe de tratadores de animais do tal centro de resgate em Lancashire, na Grã-Bretanha. Quem sabe conseguiríamos aprender a ser cativados pelo olhar “pidão” de uma criança que não teve a chance de aprender o que é ser amada. Quem sabe não mediríamos esforços para ensiná-la a receber carinho, sem parecer que desejamos alguma coisa em troca. Quem sabe investiríamos um pouco de nossos recursos – muitos deles gastos com supérfluos – para comprar medicamentos necessários para seu tratamento de ressocialização. Quem sabe até conseguiríamos tratar essas pessoas sem perspectivas de vida tão bem como os ingleses tratam seus cachorros de rua.

Mas, ainda bem que estamos no Brasil, não é verdade? Assim podemos deixar tudo como está. E tocar a vida como se a realidade não fosse com a gente.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal com paz, amor... e sem Noel


Ok, sabemos que Jesus Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro e que a data não tem embasamento bíblico. Tudo bem, mas isso não nos impede de pegar carona no clima de festividade que toma conta de boa parte do mundo nesta época do ano, para nos confraternizar com os amigos e, claro, desfrutar das guloseimas natalinas (mandamos às favas o pecado da gula neste período – só a graça). Muitos também aproveitam o momento para fazer caridade: alguns motivados por uma atitude sincera de amor; outros pensando em garantir um espacinho melhor no céu (coitados).

De uma forma ou de outra, o Natal é uma data que nos envolve – queiramos ou não – numa atmosfera de compaixão e reflexão. Sem falar que, não fosse o Natal, muitos talvez nem lembrassem que Jesus um dia veio em carne a este mundo – embora o rei da festança seja mesmo o Papai Noel. Certa feita, manifestei indiferença (para não dizer antipatia) pela figura do Papai Noel, no que um colega de trabalho, indignado, reprovou-me duramente: “Isso é falta de respeito!”. Cúma???!!!! – pensei, surpreso, à lá Didi Mocó. Prefiro não revelar o que eu penso sobre o Papai Noel, para não escandalizar seus milhares de fãs – inclusive no meio evangélico (lástima!).

Fiquemos, então, com o clima de confraternização que faz do Natal uma festa interessante. Assim sendo, aproveito para desejar boas-festas, amor, paz, alegria... a todos que visitaram o CrentePensante neste seu primeiro ano de existência. E que 2011 seja de abundante bênçãos e experiências novas com o nosso Senhor Jesus. Recebam meu abraço carinhoso, minhas considerações e meu agradecimento.

Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Natal “ungido”

É Natal. E nada como aproveitar a data para dar um presente “ungido” para quem você ama. Nesse caso, uma “boa pedida” é o óleo colorido da unção, ao preço de R$ 50,00. Pode parecer piada (de mau gosto), mas fui testemunha do fato. Certa feita, um “irmão” foi até a igreja, em pleno culto de domingo, oferecer seus produtos “abençoados”, que se tratavam de umas garrafas pet – de 600ml, salvo engano – cheias de um óleo colorido (rosa, verde, e azul..., ao gosto do cliente) com um rótulo tosco dizendo “Óleo da Unção” e uma etiqueta de preço (apenas R$ 50,00). Quando vi, não acreditei. Ri para não chorar. Será que tem gente que compra esse tipo de coisa?! – pensei. Pior que deve ter.

Outra opção natalina é levar a pessoa que você ama para o culto da unção com azeite ungindo no Jardim do Getsêmani. Essa eu ouvi numa rádio aqui da Ilha. “Venha receber uma unção especial e ser ungido com azeite consagrado pelos pastores da igreja tal no Jardim do Getsêmani, em Israel” – dizia o comercial. Uma verdadeira tentação à idolatria e à superstição. Perfeita para os adeptos do misticismo gospel. Ao invés da “água benta” milagrosa ou da “rosa ungida”, vá receber as gotículas do azeite do Getsêmani. É tiro e queda. Afinal, estamos falando do lugar onde Jesus, em agonia, suou gotas de sangue, antes de ser preso, açoitado e crucificado. Se o cliente der sorte, na saída do culto poderá adquirir seu próprio vidrinho de "azeite santo" para ungir o carro zero que o “Deus da prosperidade” vai lhe dar.

Neste Natal, não vão faltar opções de presentes criativos em uma igreja mística próxima de você. E aproveitando o ensejo, não deixe de comprar a sua roupar branca para o Reveillon ou, para os adeptos da teologia da prosperidade, um modelito amarelo ou dourado, que costuma “atrair” muita grana ao ano novo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Por que a gente é assim?!


Recordo-me bem do dia em que, quando adolescente, cumpri a formalidade de ir à frente, na igreja, e lá repeti a oração pronunciada pelo pastor, por meio da qual “aceitei a Jesus como Senhor e Salvador e me arrependi de meus pecados (até parece)”. A partir dali - tal acontece com a grande maioria das pessoas que desempenham o mesmo ato, como se ele bastasse -, toquei a vida como se nada houvesse acontecido. Aliviava-me ter agradado à minha mãe, que tanto insistia para que eu fosse à frente e cumprisse o que recomenda a Bíblia em Mateus 10:32 e Romanos 10:10.

Mal sabia que Deus tinha planos imagináveis a meu respeito. Anos mais tarde, agora não mais diante de uma congregação, mas de joelhos na presença do saudoso pastor William Hoyer, eu verdadeiramente entreguei minha vida a Cristo. A partir dali, tudo se fez novo. As coisas velhas passaram, acirrou-se a luta da carne contra o espírito e uma convicção começou a crescer em mim: a de que a vida é infinitamente mais bela quando reconhecemos nossa dependência de Deus.

Movido por esse sentimento - que nada tem a ver com levar uma vida de facilidades – passei, tempos depois, a incomodar-me com o fato de ver muitas pessoas retrocederem da decisão de caminhar com Cristo. No “envangeliquês”, refiro-me àqueles que se “desviam” da igreja (corpo). Não conseguia - ainda não consigo - compreender como alguém que já houvesse desfrutado da maravilhosa presença do Senhor pudesse voltar a "viver" dos manjares do mundo. Será que essas pessoas, na real, nunca receberam a Jesus como Senhor? Será que esses “ex-crentes” nunca haviam tido uma experiência verdadeira com Ele? – indagava-me.

Esses questionamentos voltaram a fervilhar em minha mente depois de uma providencial conversa que tive, durante um congresso secular que participei, semana passada, em Florianópolis/SC. Como não creio em acaso, sei que, de alguma forma, naquele lugar, naquela hora, naquele corredor de hotel, as circunstâncias conspiraram para que eu viesse a conhecer um dos congressistas - um homem boa-praça, sorriso cativante e um simpático sotaque sergipano. Fui apresentado a ele primeiro como jornalista, depois como pastor. Mas foi a segunda função que despertou nele o interesse em estender um pouco mais a nossa conversa. Em meio a diversas citações bíblicas, meu novo amigo confessou-me que já havia sido um missionário, “um soldado de frente na batalha” – citando suas palavras.

Conectado no Espírito, ouvia suas colocações atentamente, enquanto esperava algo de Deus que eu pudesse dizer a ele. Perguntei-lhe:
– O que aconteceu com você? ­– curioso sobre seu afastamento do ministério. 
Disse-me que, em um dado momento de sua vida, havia perdido tudo. Percebi que o dia mau havia chegado para ele de forma fulminante.
Indaguei-lhe: – Perdeu tudo o que, exatamente?
– Tudo – resumiu.
– E por acaso você não sabe que Deus costuma provar os seus é na fornalha? – provoquei-o. Seus olhos lacrimejaram. Percebi serem lágrimas de saudade. Senti aquele homem movido por uma profunda saudade de Jesus.

Lembrei-lhe de que nada acontece por acaso e que Deus estava no mesmo lugar de sempre, somos nós que escolhemos nos afastar Dele. Ele acenou com a cabeça afirmativamente. Nos despedimos. Mas, o Senhor ainda iria providenciar mais um encontro entre nós, dessa vez na solenidade de encerramento do congresso. Um encontro de poucas palavras. Num abraço apertado, ele me disse:
– Tem horas que não se precisa dizer nada.
Retribui-lhe o carinho e disse-lhe apenas que “o que era para ser dito já havia sido”.

Tudo isso me fez lembrar de algo que li no livro “Em Defesa da Fé”, de Lee Strobel, acerca de um episódio que ele viveu diante de um homem chamado Charles Templeton, que se define como “ateu convicto”. Templeton havia sido um grande evangelista no passado, companheiro de cruzada de Billy Graham. Após ouvir de Templeton as diversas razões pelas quais ele havia decidido negar a Deus em nome do ateísmo, Strobel perguntou-lhe:
– E Jesus? O que Jesus representa para o senhor?
Ouvir o nome de Cristo foi demais para o já ancião e ex-pregador do Evangelho. Sem conseguir controlar as lágrimas, ele respondeu:
– Eu sinto a falta Dele.

Por essas e outras, acho que nunca vou entender o porquê de as pessoas trocarem o aconchegante calor de Cristo – seja na fornalha, no deserto ou nos altos montes –, para viver a triste saudade do bem maior que alguém pode ter: a presença de Jesus, Emanuel, o Deus conosco.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pura arte em movimentos

Estou longe de casa há quase uma semana (isso parece aquela música cretácea da Blitz, credo!). E bota longe nisso! Daí se justifica, em parte, esse período de ausência no blog. Estou na linda ilha de Florianópolis-SC, curtindo um friozinho noturno e “tirando férias” do sol escaldante de São Luís do Maranhão.

Férias!? Que nada. Estou aqui a trabalho, coordenando parte da Comunicação de um grande evento nacional do Fisco (mais de 1.400 congressistas), promovido pela Federação do Fisco Estadual e Distrital – Fenafisco. Do hotel, dá para ver o mar - aliás, estou escrevendo agora de frente para ele. Todavia, para o leitor não pensar que a vida está mansa por aqui, são quase 23h e só agora consegui voltar para quarto, depois de um dia pesado de trabalho, que começou às 9h. Até sexta-feira (3), dia do retorno para casa, dificilmente terei tempo para dar um mergulho nas águas claras do litoral catarinense.

Mas, como todo sacrifício tem suas compensações, aprouve ao Senhor me presentear com uma grata surpresa. Sabe essas imagens que ficam por muito tempo na memória? Pois é, em uma noite que tinha tudo para ser extremamente burocrática (entrevistas, depoimentos... e a formalidade habitual das cerimônias de abertura de um congresso), eis que surge, no palco, um casal de bailarinos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. A atmosfera mudou. Recebeu ares de poesia. A música ganhou cor, sorrisos e movimento. Pensei: – Incrível é a capacidade do ser humano de fazer coisas belas! Impossível para mim não pensar no Autor Supremo. Agradeci.

Era só o começo. Intitulado “Divertissement”, o espetáculo incluiu nove solos (individuais, pas de deux e em trio), retirados das principais coreografias do repertório do Bolshoi no Brasil - única escola do Bolshoi fora da Rússia, sediada em Joinville-SC. “Hipnotizada”, a platéia assistiu a trechos de balé de repertório, dança clássica, contemporânea e a caráter (espanhola e russa), todas com o toque primoroso que fez da companhia russa a mais reverenciada do mundo, no gênero.

Sem palavras para descrever a beleza do espetáculo, apelo para a frase de Ferreira Gullar que ilustra o topo direito desse blog: “A arte existe porque a vida não basta”. E os ateus que me perdoem, mas nós seres humanos somos medíocres demais para inventar a arte. Como em tudo na vida, somos apenas “vasos na mão do oleiro” (Jr 18:6), instrumentos nas mãos de um Deus que, assim como fez ao nos dar os sentidos, o amor, a amizade, o sexo..., nos concedeu a arte para nos alegrar em dias maus.

Obrigado, Senhor.   


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A TPM "nossa" de cada dia


As mulheres que me desculpem, mas agora vou falar de assunto de homem: TPM. Eis um tema espinhoso – perigoso, melhor dizendo –, não recomendado para marmanjos sensíveis ou de nervos frágeis. Começo defendendo a tese (de minha autoria) de que as maiores vítimas da famigerada Tensão Pré-menstrual não são as mulheres. A despeito da sensação de estar à beira de um ataque de nervos e da cara de poucos amigos – entre outros efeitos que só Deus é capaz de decifrar –, não são elas as mais torturadas pela impiedosa síndrome. Somos nós, homens indefesos, as maiores vítimas da dita-cuja.


Especialistas no assunto atestam que a TPM acomete 75% das mulheres. Mas há quem diga que apenas 35% dos casos são considerados de “alta periculosidade” – para nós, é claro. A propósito, creio que se houver alguma leitora aí vivendo os seus “dias tenebrosos” posso estar correndo risco de linchamento só pela audácia de falar de algo que, organicamente, não me diz respeito.


A TPM é também chamada de Síndrome Disfórmica Pré-menstrual (até o nome assusta), causada por uma disfunção hormonal. Detalhe: dizem que fica mais intensa com o passar dos anos. A fase crítica ocorre entre os 45 e 50 anos, com a proximidade da menopausa. É isso mesmo, irmão, a coisa ainda pode ficar pior para o nosso lado.

Tudo bem, por misericórdia de Deus, os homens não precisam menstruar. Mas, quem sabe por justiça divina, estamos, por outro lado, fadados a sofrer sob a alça de mira das três letrinhas que resumem, precisamente, o estado em que nossas amadas ficam com os nervos à flor da pele. Quem é casado ou tem namorada sabe do que eu estou falando. Ao menor passo em falso e lá vem uma bordoada certeira, ou um choro inexplicável que nos corta o coração, ou mesmo aquele olhar tristonho que te faz sentir-se uma ameba insensível.

Gosto de contrariar a ciência. Por isso, também tenho minhas três letrinhas para definir a tensão que acomete as mulheres no período pré-menstrual: IAF, ou Indecifrável Apaixonante Feminilidade. Confesso: sou uma vítima fascinada por “minha algoz”.

Dia desses, minha mulher estava com TPM. Evidentemente que eu só me dei conta depois de algumas reações típicas da fase. “Você não me com preende”, disparou ela. Existe frase mais desesperadora de se ouvir de alguém que você julga com preender como nin guém? Mas é justamente nesse universo que habita o mistério: a TPM é a certeza de que todos os meses nós, homens, temos o privilégio de descobrir algo novo em nossas amadas. A tentativa de decifrar a “metamorfose” mensal delas, mergulhar mais fundo no seu mundo, é uma aventura perigosa, mas, no fim das contas, prazerosa.

Percebi que a TPM é para as mulheres como o álcool para algumas pessoas: depois de algumas doses, funciona como revelador de angústias e verdades. E é aí que a mesmice do relacionamento perde terreno. É o momento de focarmos nossos esforços na tentativa de decifrar o indecifrável, resignados a ser, para elas, um homem melhor a cada mês. Muitos de nós, claro, desistem no meio do caminho e atribuem a culpa a elas, quando o fracasso é unicamente nosso.

Enfim, viva a TPM, nosso exercício mensal de amor e paciência! Somos as suas maiores vítimas? Sim. Viva o meu lado masoquista.