quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pura arte em movimentos

Estou longe de casa há quase uma semana (isso parece aquela música cretácea da Blitz, credo!). E bota longe nisso! Daí se justifica, em parte, esse período de ausência no blog. Estou na linda ilha de Florianópolis-SC, curtindo um friozinho noturno e “tirando férias” do sol escaldante de São Luís do Maranhão.

Férias!? Que nada. Estou aqui a trabalho, coordenando parte da Comunicação de um grande evento nacional do Fisco (mais de 1.400 congressistas), promovido pela Federação do Fisco Estadual e Distrital – Fenafisco. Do hotel, dá para ver o mar - aliás, estou escrevendo agora de frente para ele. Todavia, para o leitor não pensar que a vida está mansa por aqui, são quase 23h e só agora consegui voltar para quarto, depois de um dia pesado de trabalho, que começou às 9h. Até sexta-feira (3), dia do retorno para casa, dificilmente terei tempo para dar um mergulho nas águas claras do litoral catarinense.

Mas, como todo sacrifício tem suas compensações, aprouve ao Senhor me presentear com uma grata surpresa. Sabe essas imagens que ficam por muito tempo na memória? Pois é, em uma noite que tinha tudo para ser extremamente burocrática (entrevistas, depoimentos... e a formalidade habitual das cerimônias de abertura de um congresso), eis que surge, no palco, um casal de bailarinos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. A atmosfera mudou. Recebeu ares de poesia. A música ganhou cor, sorrisos e movimento. Pensei: – Incrível é a capacidade do ser humano de fazer coisas belas! Impossível para mim não pensar no Autor Supremo. Agradeci.

Era só o começo. Intitulado “Divertissement”, o espetáculo incluiu nove solos (individuais, pas de deux e em trio), retirados das principais coreografias do repertório do Bolshoi no Brasil - única escola do Bolshoi fora da Rússia, sediada em Joinville-SC. “Hipnotizada”, a platéia assistiu a trechos de balé de repertório, dança clássica, contemporânea e a caráter (espanhola e russa), todas com o toque primoroso que fez da companhia russa a mais reverenciada do mundo, no gênero.

Sem palavras para descrever a beleza do espetáculo, apelo para a frase de Ferreira Gullar que ilustra o topo direito desse blog: “A arte existe porque a vida não basta”. E os ateus que me perdoem, mas nós seres humanos somos medíocres demais para inventar a arte. Como em tudo na vida, somos apenas “vasos na mão do oleiro” (Jr 18:6), instrumentos nas mãos de um Deus que, assim como fez ao nos dar os sentidos, o amor, a amizade, o sexo..., nos concedeu a arte para nos alegrar em dias maus.

Obrigado, Senhor.   


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A TPM "nossa" de cada dia


As mulheres que me desculpem, mas agora vou falar de assunto de homem: TPM. Eis um tema espinhoso – perigoso, melhor dizendo –, não recomendado para marmanjos sensíveis ou de nervos frágeis. Começo defendendo a tese (de minha autoria) de que as maiores vítimas da famigerada Tensão Pré-menstrual não são as mulheres. A despeito da sensação de estar à beira de um ataque de nervos e da cara de poucos amigos – entre outros efeitos que só Deus é capaz de decifrar –, não são elas as mais torturadas pela impiedosa síndrome. Somos nós, homens indefesos, as maiores vítimas da dita-cuja.


Especialistas no assunto atestam que a TPM acomete 75% das mulheres. Mas há quem diga que apenas 35% dos casos são considerados de “alta periculosidade” – para nós, é claro. A propósito, creio que se houver alguma leitora aí vivendo os seus “dias tenebrosos” posso estar correndo risco de linchamento só pela audácia de falar de algo que, organicamente, não me diz respeito.


A TPM é também chamada de Síndrome Disfórmica Pré-menstrual (até o nome assusta), causada por uma disfunção hormonal. Detalhe: dizem que fica mais intensa com o passar dos anos. A fase crítica ocorre entre os 45 e 50 anos, com a proximidade da menopausa. É isso mesmo, irmão, a coisa ainda pode ficar pior para o nosso lado.

Tudo bem, por misericórdia de Deus, os homens não precisam menstruar. Mas, quem sabe por justiça divina, estamos, por outro lado, fadados a sofrer sob a alça de mira das três letrinhas que resumem, precisamente, o estado em que nossas amadas ficam com os nervos à flor da pele. Quem é casado ou tem namorada sabe do que eu estou falando. Ao menor passo em falso e lá vem uma bordoada certeira, ou um choro inexplicável que nos corta o coração, ou mesmo aquele olhar tristonho que te faz sentir-se uma ameba insensível.

Gosto de contrariar a ciência. Por isso, também tenho minhas três letrinhas para definir a tensão que acomete as mulheres no período pré-menstrual: IAF, ou Indecifrável Apaixonante Feminilidade. Confesso: sou uma vítima fascinada por “minha algoz”.

Dia desses, minha mulher estava com TPM. Evidentemente que eu só me dei conta depois de algumas reações típicas da fase. “Você não me com preende”, disparou ela. Existe frase mais desesperadora de se ouvir de alguém que você julga com preender como nin guém? Mas é justamente nesse universo que habita o mistério: a TPM é a certeza de que todos os meses nós, homens, temos o privilégio de descobrir algo novo em nossas amadas. A tentativa de decifrar a “metamorfose” mensal delas, mergulhar mais fundo no seu mundo, é uma aventura perigosa, mas, no fim das contas, prazerosa.

Percebi que a TPM é para as mulheres como o álcool para algumas pessoas: depois de algumas doses, funciona como revelador de angústias e verdades. E é aí que a mesmice do relacionamento perde terreno. É o momento de focarmos nossos esforços na tentativa de decifrar o indecifrável, resignados a ser, para elas, um homem melhor a cada mês. Muitos de nós, claro, desistem no meio do caminho e atribuem a culpa a elas, quando o fracasso é unicamente nosso.

Enfim, viva a TPM, nosso exercício mensal de amor e paciência! Somos as suas maiores vítimas? Sim. Viva o meu lado masoquista.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Que venham as pedras

– Pastor?! Mas com esse cabelo de hippie?!
A frase foi direcionada a mim, embora não compreenda o que meu cabelo espetado (ver foto) tenha a ver com as madeixas, geralmente compridas, dos hippies.
Pensei: – Não tem jeito, de uma forma ou de outra, o título de pastor nos faz alvo de críticas.
– Pois é, apesar do cabelo, sou pastor sim – respondi, educadamente àquela surpresa senhora, que, a meu ver, não tem muita simpatia pelos hippies (ou seria pelos pastores?).

Nunca em meus tempos de juventude sonhei em ser pastor. Não quis, não planejei, não pedi, ou mesmo nutri forte admiração por algum representante da espécie. Mas, evidentemente, essa história mudou. Um belo dia, flagrei-me em oração, admitindo diante de Deus meu desejo de pastorear, de pregar, de mentoriar pessoas, de cuidar de “gentes”, de servir. Ri de mim mesmo; lembrei-me do velho homem, sempre crítico e severo em relação a tudo que dissesse respeito a Deus. Como o mundo dá voltas! E tolos são aqueles que ficam inertes enquanto o mundo gira.

Não por mim, mas por vontade soberana do Senhor – assim eu creio – aconteceu. Tornei-me pastor em uma época em que ser um deles é amargar toda sorte de comentário malicioso. “Pastor é tudo picareta”; “Só sabe tirar dinheiro dos bestas”; “Vivem fazendo lavagem cerebral nas pessoas”..., falam alguns, mesmo sem saber por quê. Para mostrar intelectualismo, talvez.

E eu com isso? Ora, eu aprendi com Jesus que amar a quem nos ama é fácil, mas é preciso amar àqueles que nos desejam mal. Aprendi com Cristo também que o evangelho deve ser pregado a todos, sem acepção de pessoas. Mas, como pregar a quem te ridiculariza, te falta com respeito, te ignora, faz chacota de ti pelas costas? Fora da igreja (lá é fácil receber cumprimentos e o amor dos irmãos) é exatamente o que eu vivo todos os dias, seja no meu trabalho secular ou em outros cantos.

Desânimo? Às vezes bate, sim. Mas não dura muito, porque lembro Daquele que não pensou duas vezes em ser achincalhado, chicoteado, humilhado, morto..., por minha causa. Lembro de quem eu era e de quem eu sou, por causa Dele. Minha alma sorri. Oro, peço sabedoria e oportunidades de pregar àqueles que não querem ouvir. Consolo-me ao lembrar que um dia eu também não o quis, e também chamei pastor de ladrão. Hoje falo de Cristo com a convicção de quem conhece os dois lados da moeda. Quisera todos se permitissem conhecer antes de emitir opiniões. Ah, se eu tivesse falado menos e conhecido mais. Não teria perdido tanto tempo.

Pois é, apesar das pedras e dos rótulos, ser pastor é uma alegria e uma honra. Que venham as pedras e caiam os rótulos. Vamos em frente, marchando para o alvo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pela diferença de gêneros

“O que tenho feito é investigar essa parte de gênero. O que tenho descoberto é que isso é muito arraigado, essa cultura binária, essa divisão do mundo entre mulheres e homens é um dogma muito forte. Não se rompe isso facilmente. Desafiar esses códigos perturba todo o ambiente ao redor de você”.

A frase é do (excelente) cartunista Laerte, companheiro de Angeli e Glauco no antológico “Los Três Amigos” e criador do sarcástico “Piratas do Tietê”. Traços à parte, achei a declaração do artista – que decidiu vestir-se como mulher no dia-a-dia - um típico exemplo da realidade mundana que nos rodeia. O mundo-cão que prega a libertinagem no real sentido da palavra (desregramento, licenciosidade). Sinceramente, não me estranhou o fato de ele ter decidido se travestir de mulher (o terno cult é “cross-dressing”). O que me chamou a atenção na sua entrevista (concedida à Folha de S. Paulo) foi sua convicção ao considerar “a divisão do mundo entre mulheres e homens” como “um dogma muito forte”. Ora, faça-me o favor! Que pensamento intelectualóide é esse que busca ferir a lógica da realidade, do fato, enfim, da própria lógica?!

Será que Laerte não tem se visto no espelho ultimamente? No mundo existem homens e mulheres (aleluia!!!). Na dúvida, basta dar uma olhada dentro das próprias calças. Homens e mulheres são diferentes (aleluia!!!) e se ajustam perfeitamente nas suas diferenças. Não se trata de dogma ou de um sistema binário arraigado na mente das pessoas, como ele tenta qualificar, é fato. Aliás, que maravilha de fato!

Minha preocupação é pensar que declarações de artistas como ele, dono de uma legião de admiradores - entre os quais, muitos jovens -, comece a infiltrar em intelectos menos favorecidos a idéia de que se vestir como mulher é uma atitude “super-cabeça”, “super-natural”, afinal, “regras são feitas para ser quebradas, liberou geral, viva o samba-lê-lê e o resto é caretice do sistema”.

Veja esta outra declaração do cara: “O problema é a vida submetida a essa ditadura dos gêneros, a esses tabus que não podem ser quebrados. É você sentir que sua liberdade está sendo tolhida, que as possibilidades infinitas que você tem de expressão na vida, ao sair, ao se vestir, ao se manifestar, ao tratar as pessoas, seu modo, seu gestual, sua fala, tudo isso é cerceado e limitado por códigos muito fortes e muito restritos. Isso é uma coisa que me incomoda”.

A minha dúvida é: ele está incomodado com os homens que agem e gostam de agir como homem e com as mulheres que agem e gostam de agir como mulher, ou com o fato de ele se sentir reprimido por não poder se vestir de mulher sem causar estranheza nos outros? Se for a primeira opção, gostaria de registrar que minha natureza - e de todos que nascem com um órgão sexual masculino - é masculina e que agir como tal está arraigado (aí sim) em uma origem orgânica e, pode-se dizer, em um histórico social. Fora disso a coisa permeia o campo das escolhas de cada um. Logo, é inevitável discordar radicalmente do pensamento do genial cartunista de que “vivemos numa ditadura dos gêneros”. Em confronto com a visão bizarra de ver um homem vestido de mulher, não há como considerar bela a visão de uma mulher vestida decentemente como tal. Alguém aí há de concordar comigo.

Agora, se o problema for o fato de ele se sentir reprimido por não poder se expressar como gostaria de fazê-lo, vê-se que esse problema já está resolvido. Nesse caso, volto a dizer, não é o fato de o cartunista ter decidido se travestir, “como forma de expressão”, que me preocupa, mas a ameaça de, num futuro próximo, eu vir a ter meus direitos de hétero cerceados e minha boca amordaçada em nome do direito dos outros de defender que homens e mulheres “são iguais” e que o resto não passa de “um dogma”, “uma ditadura dos gêneros”.

É..., nada mais me espanta!    

domingo, 31 de outubro de 2010

Tempo de reformar

Foi em um dia como o de hoje que o monge alemão Martino Lutero afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg as suas 95 teses, acompanhadas de um convite aberto ao debate sobre elas. Esse episódio, ocorrido a 31 de outubro de 1517, é considerado o marco da Reforma Protestante. A data foi transformada no Dia da Reforma e é celebrada por cristãos em todo o mundo. A pergunta que paira é: será que temos motivos para festejar?

As teses de Lutero condenavam abertamente a "avareza e o paganismo" na Igreja e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências, pregadas pelo catolicismo, significavam. Ao pé da letra, indulgência é o seguinte: vem do latim indulgentia, que provém de indulgeo, "para ser gentil"; é a eliminação total ou parcial das penas temporais do cristão devidas a Deus pelos pecados cometidos, mas já perdoados pelo sacramento da Confissão, na vida terrena. A existência das indulgências é uma crença católica de que o perdão obtido pela confissão não significa a eliminação das penas temporais, ou seja, do mal causado como conseqüência do pecado já perdoado, necessitando por isso de obter indulgências e praticar as boas obras, a fim de reparar o mal que teria sido cometido. Há um equívoco comum em dizer que indulgências seria o perdão dos pecados, contudo, elas só perdoam a pena temporal causada pelo pecado. Uma pessoa continua a ser obrigada a ter os seus pecados isentos por um sacerdote para receber a salvação.

Às vezes eu fico perplexo ao constatar que os católicos usam a mesma Bíblia que nós, protestantes – salvo os apócrifos –, logo, não há como aceitar a conciliação de certos pensamentos do catolicismo com a doutrina ensinada pelo apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, e pelo próprio Jesus, o único e suficiente Salvador e responsável pelo perdão dos nossos pecados. Sacerdote nenhum, padre, bispo, papa, ou mesmo pastor, apóstolo... têm autoridade para garantir salvação a ninguém. Pelo amor de Deus, Cristo morreu na cruz e garantiu salvação àqueles cressem Nele e na sua ressurreição. A salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2:8).

Caridade ou mesmo mimos conferidos a padres ou pastores também não garantem um lugarzinho melhor no céu. Infelizmente, muito crente alimenta o ledo engano de que podem sofrer menos as conseqüências de seu pecado se fizer um agradozinho ao pastor.

Lamentavelmente, hoje temos visto no ceio da igreja a indulgência velada. O favor em troca da salvação. O toma-lá-dá-cá denunciado por Lutero “evoluiu”, se disfarçou, se escamoteou, se aprimorou. Já que a salvação está garantida, negocia-se a bênção, a prosperidade financeira, os títulos...

O Dia da Reforma é hoje, porque hoje são todos os dias. A Reforma continua.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Abóboras, guloseimas e enganos


De todas as idéias estúpidas que o brasileiro importa de outros países, considero o Halloween – ou Dia das Bruxas em nosso linguajar tupiniquim – a mais ridícula de todas. Estaria de bom tamanho encarar “bonecos de neve” e papais-noéis no Natal, ou mesmo coelhos que “botam” ovos de chocolate na Páscoa. Mas, como temos a lastimável mania de achar atraente tudo o que vem de fora, achamos de incorporar a “brilhante” tradição de vestir crianças de monstros, fantasmas e zumbis, e decorar as casas com abóboras iluminadas, caveiras, vampiros e toda sorte de bichos horrendos, sempre no final de mês de outubro.

Só para constar, o Halloween é uma festa celebrada no dia 31 de outubro, véspera do dia de Todos os Santos. É realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos, onde chegou por intermédio de imigrantes irlandeses em meados do século XIX.

Nas cidades norte-americanas, a festa é um momento muito esperado pelas crianças. Com o aval dos pais, elas usam fantasias assustadoras e partem de porta em porta na vizinhança, onde soltam a frase “doçura ou travessura?”. Saltitantes, terminam a noite com sacos cheios de guloseimas.

Por aqui, a comemoração da data é fruto da influência da televisão e também dos cursos de língua inglesa, que valorizam a tradição entre seus alunos. Se a coisa ficasse na esfera da informação, ainda vá lá. Mas, daí aproveitar a história para realizar festas à fantasia com temáticas fúnebres, isso não entra na minha cabeça.

Isso tudo, o Halloween e suas raízes norte-americanas e nossa triste mania de importar o que não presta da terra do Tio Sam, me faz pensar em certos “vampiros” que o país importou recentemente. Fantasiados de profetas da prosperidade, eles batem em nossas portas – quando não invadem via televisão ­– com a frase típica “bênção ou maldição?”. E os bobos, sempre receptivos às invencionices ianques, dizem “bênção, bênção!”. E eles, saltitantes, terminam a noite com seus sacos cheios do nosso suado din-din. Brasileiro é bicho bobo mesmo. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

"Aborto já"


Nunca o aborto, ou melhor, o discurso contrário a ele, esteve tão em alta no Brasil. No jogo do voto, vale tudo para cativar seguidores, até mesmo a mudança descarada de discurso, com direito a carinha de santo e postura religiosa patética. O cenário que ora se desenha no país me faz lembrar o nefasto jogo do vale-tudo-por-dinheiro que temos visto e ouvido por aí no dito mundo cristão. Vale mudar o discurso, a postura e até mesmo rasgar o currículo, desde que isso garanta mais e mais seguidores e, claro, muita “gaita” no bolso.

Diante do tema do momento, resolvi propor a campanha “Aborto Já”. É claro que o título é uma forma apelativa e sensacionalista de garantir a atenção dos leitores, principalmente os preocupados com os “zilhões” de bebês que podem ter suas vidas abreviadas por um procedimento abortivo. Vale frisar que se trata tão somente de um joguete verbal para falar de um “aborto” que se faz necessário, pela sobrevivência da noiva imaculada de Cristo.
   
Ante à gestação do monstro da prosperidade - estou falando de money, business - que cresce no útero de muitas igrejas, “Aborto Já”. Por uma limpeza espiritual que leve ao resgate do evangelho puro e simples; por uma geração liberta de falsos profetas da barganha, “Aborto Já”. Pela formação de cristãos alicerçados na Palavra e não caçadores de bênçãos, “Aborto Já”. Por uma igreja atuante na área social, na formação de cidadãos decentes, éticos, conscientes, e preocupada com o próximo e não com os próprios interesses, “Aborto Já”.

Contra invencionices “bíblicas” e metas absurdas, como as que têm transformado igrejas em organizações, “Aborto Já”. Ilustro o meu protesto com o depoimento de um amigo goiano, que, estarrecido, contou-me sobre uma das práticas de certa igreja de seu estado. Disse-me ele, com base em fatos, que cada líder de célula tem a função de arrecadar uma determinada quantia mensal de seus liderados e, caso a meta não seja cumprida, ele precisa cobrir o “saldo devedor”. Agindo assim, mostra o quando é comprometido com a “obra” e dotado da visão de vencedor.

 Já tinha ouvido muito caso de desserviço ao evangelho genuíno, mas esse chegou ao patamar dos 10 mais. Por esses e outros seres estranhos que proliferam no organismo da igreja, “Aborto Já”.

Para finalizar, vale um comentário breve sobre o tema que vem “bombando” nos discursos de Dilma Rousseff e José Serra. Como as drogas, não será a garantia de proibição que fará as pessoas deixarem de praticar a violência do aborto. O problema é mais embaixo. E só uma igreja saudável, digna, idônea pode ter moral para combater esses e outros males que desviam o homem dos caminhos do Altíssimo.