quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cuidado, hoje é sexta-feira 13


Tem coisa mais ridícula do que crente desviando de escada para não passar por debaixo dela? Ou batendo três vezes na madeira para espantar mau agouro? O que dizer daqueles que não abrem mão de usar branco no dia de Réveillon, para garantir sorte no ano que chega? E aqueles que só saem de casa com o pé direito? Pois é, nesta sexta-feira 13, nada como dar umas alfinetadas santas nos supersticiosos incorrigíveis, que ainda carecem de “um banho de sal grosso” para largar mão de besteira.

Tempos atrás, preguei sobre superstição para jovens e vi uns e outros se coçando na cadeira. Meu projeto inicial era posicionar escadas nas portas principais, de maneira que, para entrar na igreja, todos tivessem de passar por debaixo delas. Mas, declinei da idéia por temer um possível esvaziamento no culto. No final, o que deveria ser uma ministração corriqueira, tornou-se esclarecedora e reveladora, pois muitos reconheceram alimentar superstições em seu dia-a-dia.

Sem querer ridicularizar as esquisitices supersticiosas de ninguém, mas cristão que perde tempo atribuindo algum poder a objetos, gestos, roupas, datas, signos, gatos pretos, ou coisas dos tipo, ainda não entendeu o que é ser liberto em Cristo Jesus. Em um país como o nosso, no qual se aprende a fazer mandingas e simpatias em programas de TV, como o da Ana Maria Braga, é triste se constatar que esse tipo de imbecilidade contagie até as pessoas que se dizem cristãs. Talvez seja por isso que hoje amargamos o desprazer de ver heresias do tipo “rosa ungida”, “água benta gospel”, “toalha ungida com suor milagroso”, “óleo da unção colorido” e outras invencionices que se vê em certas igrejas por aí.

Por isso, nesta sexta-feira 13, o conselho dos supersticiosos  é o seguinte: ao sair de casa, pise com o pé direito, não passe por debaixo de escadas, evite gatos pretos pelo caminho, não abra mão do pé de coelho, nem do trevo de quatro folhas. O meu conselho é: seja livre em nome de Jesus. 

sábado, 7 de agosto de 2010

Palavra de graça

Pesquei esse som no Púlpito Cristão, que postou por sugestão do Yago Martins, do Voltemos ao Evangelho. É hip hop para crente que pensa.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

“Chaveco santo”


Até tentei ignorar, mas o “profeta” Morris Cerullo não deixou. Desde que fui a um seminário em que ele (Cerullo) era a estrela principal, venho recebendo e-mails do escritório deste cidadão, auto-entitulado “profeta de Deus para o mundo”, solicitando “sementes” (donativos, para ser bem claro) para o seu ministério. Acho que o fato de ter posto o meu endereço eletrônico em um cadastro do referido evento acabou por inserir-me na lista de “parceiros do Cerullo”. Considero este comentário uma resposta ao e-mail.

No seminário do qual participei, em Brasília, anos atrás, o Senhor começou a abrir a minha mente e, ao mesmo tempo, aguçou minha percepção espiritual para o engano da “teologia da prosperidade”. A “pregação” de Cerullo - para mais de 20 mil pessoas na ocasião - foi uma “piada”. Entre elogios a si mesmo, como “profeta usado por Deus para as nações”, ele passou horas repetindo ladainhas do tipo “Deus me revelou que vai liberar uma bênção sem igual para o Brasil. Mas, lembre-se, a Bíblia ensina que temos que dar para receber, e que devemos obedecer o que diz o profeta. Por isso, desafio vocês a darem uma oferta de fé... blá, blá, blá...”.

Pois é, ontem resolvi, por pura curiosidade, ler um dos e-mails do “profeta” enviados a mim (e, logicamente, a milhões de pessoas ao redor do mundo) escrito em inglês. A conversa é sempre a mesma. “Deus me revelou blá, blá, blá...”. A nova “revelação” era mais ou menos a seguinte: “Existem três chaves que você precisa saber para ser abençoado e ter seus problemas resolvidos. A primeira é ‘Jesus abençoou o pão’. A segunda, ‘Jesus multiplicou o pão’. A terceira, ‘Jesus concedeu o pão’. Já dá para ver aonde esse “chaveco” vai dar. Alegando estar seguindo uma orientação do Senhor, Cerullo, sem o menor pudor, pede ao receptor do e-mail que dê uma oferta (não sem antes oferecer três opções de quantia) ao “profeta” (ele), que se compromete a ser um intercessor fiel de seus “parceiros”. E encerra com a seguinte pérola: “O milagre acontece quando você dá”.

Parece brincadeira, mas é isso aí. Um descarado “chaveco santo”. Logo para cima de mim, e justo em dias em que estou lendo um livro intitulado “Paulo – um homem de coragem”, de Charles R. Swindoll, uma verdadeira lapada na “teologia da prosperidade”. Em sua obra, Swindoll fala de outra teologia, a do ESPINHO. Fala de um Deus soberano e justo, e não de um gênio da lâmpada pronto satisfazer os nossos desejos. Fala de um apóstolo que se alegrava na fraqueza e nas dores, porque eram nelas que o poder de Deus se aperfeiçoava nele. Fala das verdades da cruz e da graça. Enquanto isso, Cerullo passeia mundo afora com seu jatinho de US$ 30 milhões, enganando pessoas com distorções escandalosas da Palavra, comercializando o nome de Jesus sem o menor constrangimento. Para cima de mim não, “ungidão”.





quarta-feira, 28 de julho de 2010

Fui à missa no domingo


Domingo passado foi um dia movimentado. Pela manhã, Deus me concedeu a honra de pregar na minha igreja, no chamado Culto das Primícias. Em seguida, uma rápida passada na casa de minha sogra, que está enferma. Depois, um almoço a dois com minha amada esposa. O tempo voou e, mal chegamos em casa e já estávamos apressados para não perder a missa das 17h, na Igreja de São Francisco de Assis, localizada a cerca de 40 minutos de nossa casa... Missa???!!!!

Antes que os irmãos pensem que eu “desviei” ou “surtei” de vez, explico. Semana passada recebi um telefonema da minha doce vozinha [essa aí da foto, com meu avô e cercada de netos], para me fazer um convite. Toda cuidadosa, como quem pisa em ovos, ela disse:
- Meu neto, sei que você é evangélico e não vai à missa, mas é que eu e seu avô estamos completando 70 anos de casados e vamos reunir a família numa cerimônia no domingo. Iria ficar tão feliz se você fosse...
Antes de ela completar o convite, respondi: - Estarei lá sem falta, vó. A que horas começa a missa mesmo?

Penso que só sendo muito religioso para recusar um convite desses. E se há uma coisa que eu luto para não ser é religioso. Aliás, no dia em que religião for mais importante que a minha família, ai sim, precisaria me reconciliar com o Senhor, porque “desviei” dos Seus propósitos.

Não vou entrar em detalhes sobre a cerimônia, caso o leitor esteja curioso para saber sobre como e eu minha esposa nos comportamos. Até porque o suposto sacrifício foi plenamente compensado com o abraço amoroso da minha “frágil” vozinha, satisfeita com a nossa presença. Entre um senta-levanta e outro, eu pensava com meus botões: “70 anos de casados não é para qualquer um”. Lembrei de uma pá de amigos evangélicos, cujo casamento não sobreviveu ao primeiro ano e de outros que andam aos trancos e barrancos.

Falar de casamento é um assunto espinhoso, mas, lá vai. Para início de conversa, não tem nada a ver com religião. Fico irritado com aqueles “crentes” que “amassam a marmita” antes da hora e depois recorrem ao altar como quem busca “consertar” a besteira diante do Senhor [um erro não corrige outro erro, cara pálida]. Casam sem amor, sem conhecer um ao outro, transformam a união num tormento e depois ficam com aquela conversa de que “o que Deus uniu, não separe o homem”. A questão é: será que foi Deus mesmo quem uniu?

Voltando ao episódio da missa. Depois da cerimônia, não pude deixar de rir de uma devota de Nossa Senhora [julgo pela camiseta que ela usava, com a imagem de Maria] que pensava alto: “Nossa, para aturar uma pessoa por 70 anos tem que ter muita coragem”. Fui obrigado a concordar com ela. Só acrescentaria algumas qualidades à atitude dos meus avós. Além de coragem, é preciso amor, cumplicidade, respeito, convicção e temor a Deus. Amém, irmãos? 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Interligados em Cristo


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Só os 20 primeiros que lerem serão abençoados

Estávamos eu e minha esposa em um culto, atentos à “palavra” que era ministrada - mas confesso que os gritos do pregador às vezes nos impedia de identificar direito o sentido da mensagem -, quando, ao final, fomos surpreendidos com a maneira... digamos... persuasiva de o pastor convidar as pessoas a ofertarem. Era uma suposta oferta especial – só para aqueles que cressem. O detalhe que nos estarreceu foi a afirmativa categórica - e “ameaçadora”, posso dizer - do referido ministrante de que somente um número determinado de ofertantes que fossem à frente com suas contribuições seriam abençoados por Deus, os demais não seriam.

Com essa pérola, não deu para ficar calado. Uníssono, eu, minha esposa e os dois casais amigos que estavam no mesmo culto fomos movidos a reagir imediatamente com um audível (mas discreto, para não desconcertar o pregador) “Está repreendido em nome de Jesus!!”.

Fico pensando que tipo de “evangelho” é esse que aterroriza as pessoas a ofertarem? Desafio a me mostrarem na Bíblia algo parecido com isso, para que me convençam do contrário. Não tenho a menor dúvida de que havia pessoas ali, naquele culto, induzidas emocionalmente - e não espiritualmente - a ir à frente para ofertar, caso contrário “sairiam dali sem a sua bênção”.

Gente, o apóstolo Paulo nos ensina sobre ofertas voluntárias, a Bíblia nos fala de dízimo, e não vejo problema em um pastor pedir à igreja uma oferta especial para custear despesas do templo ou de um evento. Mas, essa história de dizer que só as pessoas que forem à frente e receberem a oração do “profeta” serão abençoadas, mais uma vez, eu repreendo em nome de Jesus. Assim como oro para que a igreja acorde para a verdadeira Palavra de Deus, que não precisa de imitadores de “pregadores” famosos ou de gritos exagerados e contínuos, como se a voz elevada fosse sinônimo de autoridade ou unção.

Só para deixar bem claro. Eu creio em milagres e no sobrenatural de Deus. Vivo isso todos os dias. Quando prego, também costumo elevar a voz em determinadas situações. Movido pelo Espírito Santo, já falei alto, pulei de alegria, de emoção (não confundir com a famigerada fé emocional) e, muitas vezes, chorei. Mas, sinceramente, o que me faz dar glória a Deus e aleluia com toda a força do meu coração é ver a mensagem da cruz, do arrependimento, da doce transformação que só Cristo pode fazer em nossa vida e, sobretudo, do Evangelho genuíno, livre de invencionices e “eis que te digo” estranhos, sendo pregado.  Oro por uma igreja avivada, sim, mas um avivamento que venha da Palavra, que nasça de dentro para fora, da renovação da mente e do amor. Amém.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O horror em macas


Estou triste. Vou explicar o porquê. Tempos atrás, escrevi aqui mesmo, no Crente Pensante, um post narrando uma visita que fiz, como missionário, a um hospital público de São Luís, o famoso Socorrão. O que vi foi o retrato do horror de uma unidade hospitalar pública municipal em nossa cidade. Pacientes jogados em macas pelos corredores, sem água, com atendimento precário, solitários..., desesperados. Não pensei que fosse presenciar situação pior em matéria de saúde pública. Mas aconteceu.

Aconteceu pelo simples fato de a paciente agora se tratar de uma pessoa muito próxima a mim e à minha esposa. E a corda sempre aperta mais forte quando é do nosso lado. A última semana foi de angústia e provação para nós. Estamos sendo provados não apenas na fé, mas na paciência, na tolerância e na temperança. Se existe algo de bom que se possa extrair dessa situação, confesso que estamos fazendo um esforço enorme para encontrar. Uma coisa boa ao menos eu posso ver: a força e a garra da minha esposa. Não pensei que fosse capaz de amá-la ainda mais do que eu a amo. Mas Deus fez isso acontecer.

Este não é apenas um texto de desabafo, mas de denúncia. A nossa pessoa amada está internada no Hospital Clementino Moura, o Socorrão II, localizado num bairro da periferia de São Luís chamado Cidade Operária. O que se vê é um cenário deprimente. Pacientes amontoados no corredor, onde o mau cheiro é indescritível [foto]. Faltam lençóis, travesseiros, e até mesmo cadeira para os acompanhantes. Não há leitos vagos na UTI, a menos que morra alguém. Presenciei o absurdo de não haver um copo d’água para que uma paciente vítima de aneurisma tomasse um remédio para aliviar a sua dor de cabeça. Fico pensando como o prefeito de nossa cidade, o senhor João Castelo, consegue deitar a cabeça no seu travesseiro de pena de ganso e dormir. Que raios de prioridades tem essa Prefeitura? Acabamos de assistir milhões de reais sendo gastos em festas juninas, enquanto pessoas morrem nos corredores e UTIs dos Socorrões I e II.

Convido o senhor prefeito, senhores governantes, deputados, promotores e secretários a passarem uma noite, ou ao menos algumas horas, no Socorrão II, se tiverem coragem. Que possam despir-se de seus ternos bem talhados [e de suas máscaras] e deixarem por um momento os seus gabinetes devidamente climatizados, para contemplarem o fruto do seu descaso contra aqueles que, possivelmente, depositaram votos ou a confiança em favor de vocês.

E pensar que poderia ser tudo tão diferente, não fossem a ganância, a corrupção e a apatia daqueles que poderiam fazer alguma coisa, mas não fazem, ou fazem muito pouco. Que Deus tenha misericórdia de nossa vida e daqueles pacientes.