quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fé que é show


São Luís será palco [nesse caso, não é uma metáfora], este mês, do “Show da Fé”. Isso mesmo, esse é o nome de um megaevento - que percorre o país - capitaneado por uma forte denominação e que deve reunir milhares de pessoas numa grande área livre da capital maranhense, à beira-mar. Além de cantores de uma gravadora específica, grandes atrações das plataformas evangélicas estarão em cena. A “cruzada”, como vem sendo chamada, é comemorativa às décadas de fundação da igreja organizadora do evento. Tudo “de grátis”.

Evento, cruzada, culto ao ar livre... eram, antes, nomes mais comumente usados para qualificar esse tipo de manifestação. Mas, por que não sermos sinceros? Afinal, somos crentes ou não somos? Taí, gosto da sinceridade dos organizadores do “Show da Fé”. Não apenas é um nome mais apropriado, como mais honesto. Ora, se Jesus nos propõe o pão da vida, por que não “aperfeiçoarmos” a oferta do Mestre e oferecer pão e circo? É questão de "lógica", já que muitos não se contentaram apenas com o alimento espiritual e desistiram de seguir a Ele [João 6: 58-66]. O negócio é dar show, mostrar “milagres” em telões, estampar astros da música gospel e garantir a multidão presente - e os presentes da multidão.

Fico pensando em Pedro quando pregou no Dia de Pentecostes [Atos 2]. Se o apóstolo tivesse usado de uma visão de marketing apurada, não seriam “apenas” quase de 3 mil vidas para Cristo naquele dia, mas milhões de almas. Bastava uma propagandazinha semanas antes do grande dia: “Venham todos para o Megashow da Fé”; “Venham ver a manifestação poderosa do Espírito Santo no meio do povo”; “Deus vai curar, libertar, vai mandar fogo do céu...”. Tudo agendado previamente com o Todo Poderoso, claro. Ou seja, não é mais Deus quem escolhe a hora e o lugar para operar, mas são os “profetas” que determinam como e quando vai ser o grande show.

Sei não, é muito show e para o meu gosto.

domingo, 4 de julho de 2010

É...


...quando comentei aqui no CrentePensante e em post do Púlpito Cristão sobre a postura pseudo-patriótica do brasileiro em tempo de Copa do Mundo, li comentários raivosos sobre meu posicionamento. Esse é um daqueles casos em que detesto dizer que tinha razão. Quisera poder estar agora comemorando a presença da Seleção nas semi-finais, mas... O que vemos hoje é um país outra vez indiferente às suas cores.

Bastaram algumas horas para que as milhões de bandeirolas antes orgulhosamente afixadas nos carros tivessem outro fim [provavelmente a lata do lixo]. A bandeira nacional, mais que depressa, foi retirada das sacadas dos prédios e da porta das casas. Ninguém mais usava o verde-amarelo [cores que, no trivial, são altamente cafonas se combinadas no vestuário]. De entusiasmado torcedor a Madalena arrependida ficaram alguns dos milhares que “investiram” na bagatela de R$ 189,00 na compra de uma camisa oficial da Seleção. Na garganta, o gosto amargo da derrota. No ar, o silêncio das vuvuzelas caladas.

Eu não comprei bandeira do Brasil, camisa da Seleção, ou muito menos afixei bandeirolas no meu carro. Não vejo nenhum problema na atitude de que o fez, mas vejo uma lamentável falta de senso patriótico em quem se apressou em tirar o verde-amarelo da sacada, jogou as bandeirinhas automotivas no lixo ou engavetou a camisa canarinho com certa raiva.

O Brasil perdeu um jogo. E daí? A pior derrota é a perda da oportunidade de mostrar que somos patriotas perdendo ou ganhando. Com troféu ou sem troféu. Em 2014, tudo outra vez.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A dor de uma verdade

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Faustão "gospel"


Ô lôco, meu! Chegou a vez da música gospel no Domigão do Faustão. Vai ser neste domingo (27). Depois de massificar o padre galã Fábio de Melo, a Rede Globo decidiu convidar as belas Fernanda Brum e Aline Barros para cantar no show de auditório de Fausto Silva.

Considero o Domingão do Faustão um dos piores programas da televisão Brasileira. Não tem conteúdo algum, as piadas do apresentador já estão mais do que batidas e o roteiro [ou falta dele] é de doer. Mas, como o povo brasileiro tem o hábito de consumir porcaria, o programa persiste no ar por anos a fio, com audiência de milhões de pessoas.

É evidente que o convite feito às pastoras Fernanda Brum e Aline Barros não é um sinal de que o apresentador se converteu [não pense que eu duvide que isso seja possível, sou prova cabal da misericórdia de Deus], mas trata-se de mais uma jogada comercial, visando cativar a audiência da grande massa evangélica brasileira.

Ok, antes que alguém comece a torcer o nariz com minha postura precavida e crítica em relação à participação das cantoras no Domingão, quero deixar bem claro o seguinte: creio que Deus abre portas que ninguém fecha, que é poderoso para usar quem Ele quer [e isso não exclui o Faustão] e que a sua palavra não volta vazia. Por isso, oro para que as pastoras sejam poderosamente usadas pelo Senhor e que o Evangelho de Cristo seja pregado verdadeiramente, e não alvo de piadas [como já fez Jô Soares ao entrevistar Baby do Brasil]. É esperar para ver.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Heróis sem taça


Em vez xingamentos, elogios. “Orgulho da nação! Heróis!”. Adjetivos não faltaram nos principais jornais sul-africanos para se referir à seleção da África do Sul, após a eliminação da Copa do Mundo. Em vez de achincalhes, elogios pela luta da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira nos três jogos e a vitória sobre a França por 2 a 1 na última rodada do Grupo A. O “The Times” chegou até a trazer um pôster da seleção nacional (foto).
“Igualzinho” ao Brasil, não é? Se fosse aqui, cara-pálida, a nação canarinho já estaria arrasada, indignada, inconformada com o “corpo mole” da Seleção. A imprensa estaria crucificando o Dunga, claro, ainda mais depois dos palavrões que ele disse aos jornalistas. Ia ter bandeira sendo queimada. As milhões de bandeirolas hoje afixadas nos carros já estariam no lixo ou jogadas na rua. Enfim, “orgulho nacional”, “heróis”, nem pensar.
Quem sabe a atitude dos sul-africanos possa nos ensinar alguma coisa sobre verdadeiro patriotismo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O valor que Deus te dá


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Guerra dos “ismos”


Calvinistas e arminianos que me perdoem, mas Jesus é fundamental. A discussão não é de hoje, mas, ultimamente parece que a “guerra” foi reaquecida entre os defensores das escolas teológicas de João Calvino e Jacob Hermann (Arminius), respectivamente. De um lado, “a predestinação”, “a graça irresistível”, o “uma vez salvo, salvo para sempre”, etc. Do outro, a “pré-ciência divina”, a “perda da salvação (queda da graça)” o “livre arbítrio”, etecétara-e-tal. Para a maioria dos leitores, esse assunto pode parecer grego ou língua estranha sem interpretação. Mas, para os que sabem do que eu estou falando, vou resumir minha opinião parafraseando a irmã Adriana quando quer opinar sobre algo que a desagrada: “Discutir ‘ismos’ da teologia é muuuiiito chato!”.


Tenho minhas opiniões formadas sobre as teses de Calvino e de Arminius e, sinceramente, não me encaixo plenamente em nenhuma delas. Embora tenha meus pontos de concordância, vejo a ambas como labirintos sem saída quando confrontadas com certas passagens da Palavra de Deus. Na boa intenção de decifrar os mistérios das Sagradas Escrituras, considero que as teses calvinista e arminiana acabam por se digladiar em embates hermenêuticos entre teólogos, que, no afã de defender seu raciocínio, ignoram a passagem de Deuteronômio 29:29.

Creio da seguinte forma: prego e vivo a graça e pela graça. Sem Jesus, não há salvação e, quanto a isso, nem calvinistas nem arminianos discutem. Somos chamados e temos uma missão: “ide e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mt 28:16-20; Mc 16:15,16). O arrependimento é uma prerrogativa à salvação e precisa da ação do Espírito Santo (At 2:38). Deus é soberano e não é obrigado a nada. Ele tem o controle de tudo e um propósito para todas as coisas. Ele nos ama e nos recomenda a amá-lo acima de tudo e a nosso próximo como a nós mesmos. “Ismos” nos ajudam tanto a decifrar a Bíblia como a complicar a simplicidade do Evangelho. Mas, com certeza, não levam ninguém à salvação, e podem levar a lugar nenhum.

Logo, olhemos para Cristo, autor e consumador da nossa fé. Não há outra saída [ou entrada], nem consenso salvífico melhor do que Ele para mim e, certamente, também para os meus irmãos calvinistas e arminianos.