sexta-feira, 30 de março de 2012

“Revelação” de encher os olhos e os bolsos




Estava em um congresso em Brasília, meio que desavisado, quando o pregador disparou uma “revelação” bombástica:

- Deus me revelou que Ele derramará uma bênção de prosperidade que esse país nunca viu.
Houve chuva de glórias e aleluias na multidão. Em seguida, o reverendo arrematou:

- E Deus revelou mais: que as oito primeiras pessoas que ofertarem R$ 8 mil receberão uma bênção especial como nunca viram antes

Ohhhh!, exclamou a atônita plateia.

Como nenhum dos futuros abençoados se apresentou imediatamente, iniciou-se uma oratória de convencimento, alertando para a GRANDE BÊNÇÃO que os oito afortunados levariam. Segundo o pregador, a oferta seria um exemplo de coragem e, claro, de “fé na palavra profética da revelação sobrenatural” disponível somente a um grupo seleto “de pessoas que não duvidam do poder de Deus”.

Assim, um por um, formou-se o rol dos oito crentes especiais, para alívio do pregador, que passou, então, a investir em desafios menos pomposos. Gradativamente, a oferta foi reduzida para R$ 5 mil, R$ 3 mil, R$ 1 mil..., seguindo a proporcionalidade da bênção e da suposta fé do ofertante. Aos de pouca fé, restou a oferta espontânea, de valor indefinido. A esses, quem sabe, haveria de sobrar um pouquinho de bênção, mesmo depois de tanta gente de fé ter sido generosa e garantido o retorno certo da parte de Deus.

Tem dias – como hoje – que sinto vontade de externar minha inquietação com algumas invencionices que vão, a meu ver, de encontro ao ensinamento bíblico, investindo em falácias de prosperidade financeira. Para quem ainda se deixa convencer pela promessa de dinheiro fácil vindo do céu, limito-me a analisar a tal “revelação” dos tais oito afortunados dos R$ 8 mil. Veja bem: a revelação era a de que os oito que ofertassem o valor estipulado receberiam a bênção especial, certo? O critério da bênção, portanto, era a simples atitude de fé. Ou seja, se eu cresse e ofertasse o valor estipulado, eu receberia a compensação financeira. Sendo assim, estamos falando de um Deus que decidiu abençoar aqueles que tão somente cressem no que o “profeta” dizia. Nesse contexto (ou pretexto), costuma-se usar, isoladamente, a passagem “Credes nos seus profetas e prosperareis” (2 Cr 20:20).

Dessa forma, podemos concluir que não importava ali a índole do ofertante, fosse ele cristão ou não, tivesse uma vida reta ou não, buscasse a Deus ou não, fosse honesto ou não. O fato era que se ele ofertasse o valor revelado, seria abençoado, porque assim afirmou o “profeta” - um certo Mike Murdock, para quem estiver curioso em saber. Em outras palavras, Deus estaria obrigado a abençoar até mesmo um ladrão, um criminoso, ou algo do gênero que decidisse desembolsar os R$ 8 mil.

Para encurtar a conversa, a Bíblia nos revela um Deus fiel a Sua Palavra, não a nosso bolso. Ele soberano, logo, concede dividendos a quem quiser, quanto quiser e se quiser. Se não quiser, não concede. Olho para as Escrituras e concluo que o Senhor não haveria de dar grana a uma pessoa simplesmente por dar. Há sempre um propósito lógico no conceder (e no tirar) do Pai.

Murdock costuma dar o próprio exemplo de vida próspera como prova da fidelidade de Deus com os que ofertam grandes somas em dinheiro. E assim, ele e outros do mesmo time de pregadores da prosperidade seguem ostentando gordas contas bancárias, mansões, aviões, fazendas... e arrebanhando seguidores que esperam enriquecer às custas de ofertas generosas.

Infelizmente, com esse tipo de doutrina - que inclui a fé cega na palavra do líder -, esses pregadores conseguem, por tabela, atingir a imagem de pastores que nada têm a ver com essa postura. Como pastor, sinto-me muitas vezes ofendido ao ser posto no mesmo saco desses caça-níqueis do “evangelho”.

Dia desses, no trabalho, um colega contou uma piada sobre pastor. Ridícula e sem graça, a anedota, claro, rendeu risadas e gozações sobre a forma como os pastores “tiram dinheiro de suas ovelhas”. Não culpo os gozadores. Até porque, há certos fatos diante dos quais o melhor mesmo é rir para não chorar.

Para mim, o ministério pastoral é um privilégio, uma grande responsabilidade e a maior honra que eu poderia alcançar. Apesar das piadas, das críticas e do desrespeito de ocasião, nada disso afeta as minhas convicções. Sigo em frente, com olhar fixo no alvo, que é Cristo, e de bolso vazio – pelo menos até a próxima semana, quando sai o ordenado aqui do jornal. Aleluia!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Expulso por ser gay, pastor cria igreja voltada a homossexuais no RS


A partir das 19h do próximo sábado (24), o Rio Grande do Sul terá a primeira igreja voltada ao público gay. Homossexual assumido, o pastor Anderson Zambom conta os dias para a inauguração da Igreja Cidade de Refúgio de Porto Alegre, vinculada a uma comunidade nacional que tem como objetivo pregar a palavra de Deus sem preconceitos quanto à orientação sexual.

“Haverá cultos de ensino bíblico para mostrar às pessoas que Deus não é aquele monstro que as igrejas pregam”, disse ao G1 o pastor, que atuará junto com a pastora Vanessa Pereira, de 27 anos. "Quem impôs a condição de pecado foi o homem e não Deus, porque em nenhum momento a Bíblia condena o homossexualismo. O que há é algumas traduções errôneas e o entendimento errado e manipulado da Palavra", acrescentou.

O pastor ressalta que a Cidade de Refúgio não é de uma igreja voltada exclusivamente ao público gay, mas tem o intuito de dar uma oportunidade aos homossexuais evangélicos de exercerem a religião sem serem considerados pecadores. Foi exatamente o que aconteceu com o próprio Zambom, forçado a abandonar o exercício de pastor de uma igreja de Santa Maria, em 2003. "Fui excluído do ministério. Não pude ir para frente no meu trabalho", lamentou o pastor.

Cristão desde os 10 anos, Anderson, hoje com 26, teve a ideia de voltar aos púlpitos ao perceber o surgimento das chamadas "igrejas inclusivas". Decidiu fundar a Cidade de Refúgio na capital gaúcha após conversar com a fundadora da comunidade, Lanna Holder. "Havia uma ideia de criação do nosso ministério, porém seria independente. Então, conversando com as pessoas, resolvemos começar esta obra aqui”, declarou.
(fonte: G1)

Comentário do editor:

De novo essa conversa?! Meu caro Anderson Zambom, é indigerível esse papo de que “a Bíblia em nenhum momento condena o homosexualismo”. Eu não sei de que Bíblia você está falando, mas a que conhecemos, baseada em traduções fidedignas aos textos mais antigos e cuja mensagem é tão clara que não requer nenhum esforço de interpretação, é objetiva e coerente com os planos de conduta determinados por Deus (isso para quem crê). Outro dia, li um jovem homossexual afirmar corajosamente sua opção sexual, além de sua posição ateísta e militância LGBT. Achei legal, sincero. Respeito posicionamentos assim. O que não dá para respeitar é uma pessoa distorcer a Palavra com uma conversa mole, levando as pessoas a falsas doutrinas, afastando-as da verdade do Evangelho, e, de quebra, dizendo que as igrejas pregam um Deus tirando. Isso é uma clássica mentira dos falsos profetas, de gente que conhece bem o que diz a Bíblia, mas distorce para justificar o seu pecado e para levar outras pessoas a fazer o mesmo.

Meu conselho: seja sincero com você mesmo. Se quiser abrir uma igreja, abra, mas não use a Bíblia como parâmetro de conduta, porque, além de herege, corres o risco de ser desmascarado pela própria Palavra, que “permanecerá para sempre” (1Pe 1:25) ainda que o homem insista em criar falsas doutrinas. Só para deixar claro: amo em Cristo os homossexuais, tenho amigos homossexuais e os respeito, o que não me obriga a pensar como eles. E, só para deixar mais claro ainda, o fato de eu não concordar com o que eles pensam, não me dá o direito (ou a mínima vontade) de colocá-los na cadeia, como o certos movimentos gostariam de fazer com os pastores.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

É muita maconha na cabeça



Na cidade de Americana (SP), um sítio é sede de uma igreja que já foi palco de três batidas policiais com apreensão de dezenas de pés de maconha. O líder é um sujeito que se diz rastafári. A lei brasileira não permite o uso da cannabis para fins religiosos, mas o cara quer usar a jurisprudência do Santo Daime, permitido na legislação vigente. O chefe espiritual da tal igreja disse que investigou tudo sobre a crença pela internet e nunca teve contato pessoal com um rastafári jamaicano.

A história chega a ser hilária não fosse trágica. Imbecis como esses acabam tendo um incrível poder de mobilizar outros doidões como ele com essa conversa mole de que maconha “é algo espiritual, que leva ao contato com a divina natureza e para mais perto de Deus”. Em resumo, papo furado de quem está chapado da erva (falo pela experiência própria do velho homem). Por isso, não me venha dizer que fumar um baseado no Brasil (não sei na Jamaica, porque lá a coisa é mais arraigada culturalmente e religiosamente falando) é coisa espiritual, porque é conversa para boi dormir (depois de uns três ou quatro cigarrinhos do capeta, é claro).

Mas, o trágico mesmo, é o tal líder dizer que “a maioria dos milagres de Jesus foram feitos à base de maconha” (confira no vídeo esses e outros disparates). Depois dessa, chego à conclusão de que a cannabis que essa cara fuma é “da boa” mesmo. Acho que em vez de ler a Bíblia, o que esse cidadão faz é usar as páginas para enrolar o baseado dele, só pode. Daí... a fumaça sobe para cabeça, levando esse tipo de “revelamento sobrenatural”. Mó viagem, mermão!

O resultado de ideias como a desse camarada é a formação de jovens acéfalos, dependentes de droga e, claro, na contramão do Deus que liberta, e cuja “viagem” supera qualquer barato provocado por entorpecente ou outro lixo tóxico que o mundo possa oferecer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BBB: caso de polícia ou de moral?


Deixa eu ver se entendi direito. Primeiro os tais brothers caíram na farra, com direito a birita a rodo. Depois, certa hora da madrugada, uma das mulheres, caindo de bêbada, foi para o quarto dormir e foi acompanhada por um dos manés da casa, também bebum, e ali rolou um sacolejo bandeiroso debaixo do edredom. Quem assistiu, jura que a moça estava dormindo (prefiro usar o termo desmaiada de bêbada), enquanto o acéfalo supostamente a abusava sexualmente. Se captei direito, foi mais ou menos assim que aconteceu.

A essa altura, o vídeo do ato libidinoso em cadeia nacional já deve estar bombando no Youtube. Li na internet que a audiência do BBB12 disparou por causa da polêmica. Que “beleza”!! O Bial, com cara de pastel, anunciou a eliminação do suposto criminoso sexual, mas não explicou as razões claramente - como se ninguém soubesse. A polícia, ao que parece, está investigando o caso.
Esse é o programa que há 12 anos é oferecido às pessoas: uma casa na qual os “moradores” são estimulados a se relacionar (de preferência sexualmente, para garantir o ibope), a encher a cara de cana nas festas (porque bêbado perde a noção e é isso que o diretor quer ver, afinal, quanto mais polêmica, mais audiência), a desfilarem de biquínis sumários (para alegria dos necessitados(as) de plantão) e, claro, a conspirarem uns contra os outros. Que “legal”!!

Resultado: um sujeito, depois de beber todas, estimulado por um ambiente favorável (festa, mulher bêbada, bebida alcoólica, quarto à disposição, ninguém é de ninguém...), comete um suposto abuso sexual diante das câmeras, para delírio dos fãs do programa. As perguntas que eu faço são: Quem é o culpado dessa história? Será que o único responsável é o mané que supostamente cometeu o abusou sexual? Não tivesse caindo de bêbada, teria a garota permitido o (suposto) abuso? Houvesse um limite de consumo de álcool para os “moradores” da casa, haveria uma pessoa supostamente inconsciente pelo excesso de birita? E os milhões de telespectadores: não é esse tipo de cena que muitos deles querem assistir?

Se há inocentes nessa história, não consigo ver.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma palavra franca sobre dízimo

Se eu for fiel com o meu dízimo, Deus será fiel com o meu bolso, certo? Não necessariamente. A Bíblia me ensina que Deus é fiel mesmo quando somos infiéis, porque não pode negar a si mesmo (2Tm 2:13). Ou seja, não é o fato de eu ser dizimista (e sou, só para deixar claro) que vai obrigar Deus a zelar pelas minhas finanças. Além do mais, Deus conhece a intenção do coração do homem e sabe muito bem as motivações de cada um.

Já se eu for fiel com o meu dízimo, Deus vai me devolver em dobro, certo? Errado. Deus nos dá conforme a sua justa medida e não é o valor do meu dízimo ou da minha oferta que vai determinar alguma coisa para Deus. Além do mais, quem está devolvendo sou eu, Ele não é obrigado a me devolver nada.

Se eu for um fiel dizimista, não terei dificuldade financeira, certo? Até parece! Se a regra fosse essa, existe algo errado com ela, afinal, eu não conheço um crente que não passe alguma dificuldade financeira (alguns mais outros menos, lógico).

Vou ser sincero, e me desculpem os aficionados pela fórmula do toma-lá-da-cá ao pregar sobre dízimos e ofertas, mas insistir nessa linha, apelando sempre para benesses financeiras, é um incentivo ao pecado. Antes que alguém pense que o pastor radicalizou ou pirou de vez, explico. Penso que alguém que devolve o dízimo ou dá uma oferta à igreja com segundas intenções (ou seja, para receber em troca), não está realizando um ato de amor e corre sério risco de estar semeando na carne. Vejamos o que diz Gálatas 6:7 acerca da lei da semeadura:
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”.

Ora, a Bíblia diz que tudo que eu semear eu vou colher, no entanto, a semeadura de boa colheita é aquele que é feita na seara espiritual. Se eu sou induzido, simploriamente, a dizimar na espera de um retorno financeiro, é o mesmo que resumir o ato a um investimento na bolsa de valores ou num fundo de aplicação financeira qualquer, no qual eu deposito uma quantia esperando receber rendimentos por isso. Mas, dízimo e oferta são bem mais do que um joguete monetário, é um ato de fé, de obediência, de adoração e, sobretudo, de amor ao próximo.

Sinceramente, acho um menosprezo reduzir uma atitude tão importante, que é o ato de dizimar e ofertar, a uma oportunidade de receber uma graça financeira. Antes de ser apenas uma chance de constatar a fidelidade de Deus conosco, nossa contribuição voluntária nos faz co-participantes da obra do Senhor. Por meio dela ajudamos a pagar despesas da igreja (ou você acha que as contas de água, luz, pessoal, aluguel, limpeza, etc, etc..., são pagas com dinheiro celestial?), bem como a manter obras sociais, a investir em missões, manutenção, ampliação e instalação de templos, e, consequentemente, a alcançar vidas com a pregação do Evangelho. Se o nosso contribuir for uma ação de busca pelas coisas do Reino de Deus, as demais coisas serão acrescentadas naturalmente (Mt 6:33). É simples. Inverter essa ordem é, como já disse, um incentivo ao pecado (impulso a semear na carne).

Por isso, rechaço o discurso repetitivo que incentiva os evangélicos a contribuírem sempre (e somente) à espera de uma graça no campo financeiro. Se ela vier, que seja no campo das demais coisas acrescentadas. Amém?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Evangelho segundo Maquiavel


Uma pergunta para refletir: Você mentiria para obter algum tipo de benefício para a sua igreja?
Que tal essa? Você assinaria um cheque sem fundo para “pagar” cestas básicas, para alimentar famílias carentes?
Ou essa: Você concordaria que sua igreja recebesse, conscientemente, uma doação de origem criminosa (dinheiro do tráfico de drogas, por exemplo)?

Se ao menos em uma das perguntas acima a sua resposta foi “sim”, você pode ser considerado um potencial discípulo de Nicolau Maquiavel, autor da frase “Os fins justificam os meios”. O problema é que, como cristãos (se for esse o seu caso), nosso papel é ser discípulo de Cristo e não do italiano renascentista autor de “O Príncipe”.

Para alguns fãs de Maquiavel, sua célebre frase quase sempre é mal interpretada. O que ele teria quisto dizer foi que “os fins determinam os meios” e não que uma atitude pode ser justificável dependendo do seu objetivo. Ou seja, é de acordo com nossas metas que devemos traçar os nossos planos.

Consideremos assim então: as minhas metas (fins) devem determinar os meus planos (meios). Só que para nós, reles humanos, o perigo é quando os planos recebem a influência de um inimigo íntimo chamado “a carne”. Isso porque a (nossa) carne costuma ser egoísta, vaidosa, egocêntrica, enganosa, pecaminosa e mentirosa. É ela que induz a pessoa a assinar um cheque sem fundo, a mentir para tirar vantagem, a camuflar falhas quando lhe convém e, via de regra, a compactuar com o pecado para tirar proveito. Em suma, se a carne estiver à frente, não importa os fins ou os meios, o resultado é um só: pecado.

Assim sendo, não há outra saída para o cristão maquiavélico (refiro-me àqueles que agem segundo a carne, ainda que pensando estar fazendo o bem) a não ser recorrer ao arrependimento, a fim de preservar um relacionamento saudável com Deus e com o próximo. Tal responsabilidade recai seriamente sobre as igrejas, cujo papel é propagar o Evangelho genuíno e ser imitadora de Cristo em amor e atitudes.

A garantia de permanência de fiéis com dízimos avantajados; o medo de expor o nome da congregação por erros cometidos por líderes ou membros; a possibilidade de receber doações generosas; ou mesmo o afã de multiplicar o número de ovelhas... não podem, jamais, justificar meios que confrontem os preceitos bíblicos. Se na política pregada por Maquiavel fins justificam meios, na política da santidade objetivos não justificam atitudes que desagradam a Deus.

Sábio é o líder, aliás, todo cristão que tiver isso em mente.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

“…and the Oscar goes to...”

O teatro anda em alta nas igrejas. Não, não estou falando dos muitos grupos dedicados às artes cênicas que, com muito valor e criatividade, fazem da interpretação teatral um recurso interessante para falar de Cristo. Refiro-me, com pesar, ao enorme rebanho de atores que povoam naves e púlpitos de nossas igrejas. Tratando-se de seres humanos (ô raça sínica essa a nossa!), ouso afirmar que não existe exceção: em toda igreja institucionalizada não faltam mambembes travestidos de cristãos.

Sabe o que é pior? Dificilmente algum de nós escapa ao risco de atuar, ainda que provisoriamente (os mais inteligentes pulam fora rapidinho), nesse grupo de artistas do Evangelho, pregadores do engano, testemunhas de araque. Não tenho pudores para falar sobre isso, porque considero saudável o hábito da auto-análise, da auto-crítica, a fim de não tropeçarmos na própria soberba ou na idéia equivocada de que estamos acima do bem e do mal.

Há muitas razões para estarmos propícios a usar máscaras. Todavia, vou ater-me a dois substantivos comuns no dia-a-dia de todo ser humano e responsáveis por grande parte dos jogos de cena que se vê por aí. São eles a mentira e a vaidade. Isso porque ambos, a certo passo da vida, acabam se tornando hábito e passam despercebidos (a olhos humanos).

Mentimos por esporte, sem querer, sem-querer-querendo e, claro, querendo mesmo. Sabe quando aquele flanelinha com jeito de poucos amigos vem pedir dinheiro, cheio de cachaça no cérebro, e a gente afirma, sem pestanejar, “estou sem dinheiro hoje”? Geralmente o dinheiro há, mas, por que não mentir para se sair de uma situação incômoda? O exemplo é simplório, mas serve para ilustrar o fato de como é fácil mentir diante de situações que nos constrange. Por que não mentir? Uma mentirinha não faz mal a ninguém. Deus há de perdoar. Afinal, “os fins justificam os meios” (ô frasezinha malévola! - outro dia escreverei sobre esse negócio de fins justificando os meios. Aguardem). Mentir será sempre a atitude menos inteligente diante de Deus.

Já a vaidade... ah!, a vaidade... “Meu pecado preferido”, declarou, com sorriso irônico, o personagem de Al Pacino no filme Advogado do Diabo. Ele interpreta Satanás no thriller e se diverte manipulando o vaidoso personagem de Keanu Reeves. Não é à toa que a palavra vaidade é usada tantas vezes na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Salomão, no ápice de sua maturidade, inicia Eclesiastes falando desse pecado perigoso, que sutilmente nos afasta da presença do Senhor e nos enforca em nós mesmos.

A vaidade é a necessidade que o homem tem de chamar atenção para si. Ela é um dos principais empecilhos entre o ser humano e a confissão de pecados. A vaidade nos impede de admitir erros. Confessar pecados - mesmo sabendo ser isso fundamental para o conserto -, coloca em xeque o conceito que os outros têm a nosso respeito. Muitos de nós preferem encobrir o pecado a ter sua máscara lançada fora. Acontece que Deus tem visão de raio-X (1 Samuel 16:7). Ele vê através da máscara. E “não se deixa escarnecer, porque tudo que o homem semear ele também ceifará. O que semear na carne... (Gálatas 6:7).

E assim o teatro tem seguido firme no ceio das congregações. Mas, a má notícia para os atores do Evangelho é que sempre haverá a ação consoladora e poderosa do Espírito Santo. E Ele é especialista em desmascarar falsos profetas e falsos discípulos. O dom do discernimento de espíritos é real na vida daqueles que O buscam. E nada há encoberto que não haja de revelar-se (Mateus 10:26). No popular: um dia a casa cai.

Enquanto isso não acontece, os crentes Cazuza (inventei essa agora) continuam vivendo a sua mentira como quem diz “faz parte do meu show”. Na platéia, o Diabo sorri, aplaude e pede bis. Enquanto o Espírito Santo chora.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É Natal, que beleza!

É Natal! Tempo de amar ao próximo, exercitar a solidariedade e esbanjar momentos de confraternização. Na sexta-feira última, entretanto, uma cena contrastou-se com esse espírito solidário que move o inconsciente coletivo. No flagrante do repórter fotográfico Diego Chaves, do jornal O Estado do Maranhão, um homem supostamente embriagado, estirado no meio da rua, não foi obstáculo para o cortejo natalino que passava pela Rua Grande, a mais movimentada do comércio de São Luís. Guiados pelo casal José e Maria, que carregava um boneco simbolizando o menino Jesus, dezenas de outros personagens devidamente caracterizados, entre pastores, reis magos, anjos e músicos, seguiam em animada batucada, celebrando o clima natalício. Sem perder o passo, nem o compasso, os artistas desviavam tranquilamente do homem estatelado no chão. Talvez a preocupação fosse a de não perturbar o “cochilo” do indivíduo, dentro do mais verdadeiro espírito solidário da época. Afinal, é Natal, ho, ho, ho.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A culpa é nossa


Tempos atrás, ser crente - melhor dizendo, protestante -, era coisa de gente esquisita, religiosa ao extremo, ou, na melhor hipótese, um tipo qualquer de carola, todavia, na maioria dos casos, pessoa séria e, quase sempre, confiável. Hoje, ser crente - melhor dizendo, evangélico, pior dizendo, gospel -, é para, os ímpios, sinônimo de toda sorte de adjetivo pejorativo, do irônico ao agressivo. E a culpa é de quem? Nossa, é claro.

Não pretendo aqui condenar gente sem noção, do tipo que curte se divertir à custa da fé dos outros e que, geralmente, fala sem conhecimento de causa, que nunca leu a Bíblia (se leu, não entendeu bulhufas) e apenas acha intelectualmente impressionável tirar onda dos cristãos. O propósito aqui, para variar, é centrar fogo no comportamento de nós, evangélicos, cuja vergonha na cara tem se tornado artigo em escassez.

Por exemplo: às vezes acho perda de tempo esse negócio de crente famoso ir a programa de televisão secular, sob a justificativa (ingênua, a meu ver) de evangelizar os descrentes. “A palavra nunca volta vazia”, costuma-se dizer, como que procurando desculpar-se pelo fato de estar sentado à roda de escarnecedores. Resultado: salvo honrosas exceções, o irmão famoso acaba alvo de chacota na boca dos ímpios.

Um caso recente foi o da cantora Sara Sheeva, entrevistada no programa Manhã Maior, da Rede TV. A pastora e ex-cantora do grupo SNZ revelou que sua conversão se deu após uma experiência sobrenatural: “Eu vi o mal. Eu vi dentro de uma pessoa" - afirmou. "Uma pessoa incorporou um espírito no meio da rua, na minha frente, e os meus olhos se abriram, espiritualmente falando", completou. Ela disse ainda estar sem sexo há 10 anos e sem beijar na boca há nove.

A turma do facebook deitou e rolou. O depoimento da pastora foi motivo de piada. E sobrou para todos os evangélicos. Fomos chamados de falsos puritanos, julgadores da vida alheia e claro, desequilibrados que precisam de ajuda psiquiátrica. Pergunto: será mesmo que o Reino de Deus precisa desse tipo de participação televisiva? O programa, claro, ganha em audiência. Mas, e a Palavra, foi mesmo pregada? Os descrentes foram mesmo impactados pelo testemunho de mudança? Ou a coisa toda serviu apenas para colocar o Evangelho como alvo de zombaria?

Nem se precisa dizer que há lugar, hora e maneira de se dizer as coisas, a fim de se atingir o objetivo desejado. Falar de coisas espirituais para ouvintes leigos no assunto, ateus, agnósticos ou simplesmente vazios do Espírito, ou mesmo arrogantes intelectualóides, é quase sempre chover no molhado.

Por outro lado, dia desses assisti a uma entrevista de Victor Belfor e Joana Prado ao apresentador Luciano Huck e gostei da postura dos dois. Sem apelar ao evangeliquês, disseram que a conversão foi a melhor coisa que aconteceu na vida deles e que a mudança se tornou evidente. O próprio Huck admitiu: “Mudou para melhor”, referindo-se à Joana, que ficou famosa como a Feiticeira em programa apresentado por ele. É assim que se faz. E quem quiser conhecer o Jesus que os transformou que venha. Ele está sempre de braços abertos.

A verdade é que são as atitudes e o caráter que mostram se uma pessoa é cristã ou não. Ir à igreja, pregar, cantar louvores ou dar entrevistas na televisão, gravar CD... nada disso faz de alguém um verdadeiro discípulo de Jesus. Aliás, ator é o que não falta no meio evangélico. Tem gente que consegue até separar bem as coisas: “Na igreja sou cristão, fora dela faço o jogo do mundo”. Coitado de quem pensa assim. Cristo nos ensina a ser discípulos onde quer que estejamos. É justamente fora da igreja onde eu mais preciso dar testemunho de quem eu sou Nele.

Não precisamos agir como juízes do mundo, nem tentar parecer puritanos ou, muitas vezes, hipócritas diante do pecado alheio, para mostrar que somos evangélicos. Temos que ser verdadeiros, com nossos erros e acertos, arrependendo-nos diante do pecado, perdoado e estendendo a mão a quem precisa se levantar. Pregar o Evangelho é tarefa de todos, aproveitando cada oportunidade. Até mesmo, com a devida prudência, em programas de televisão. Mas, um pouco de cabimento não faz mal a ninguém. Lembram da Baby do Brasil mostrando ao Jô Soares como se fala em línguas estranhas? Ninguém merece! O Jô (que de modéstia intelectual não tem nada) tirou sarro do início ao fim da entrevista.

É bom que fique claro: não me importo com os comentários vazios e escarnecedores dos descrentes. O que me incomoda é a nossa falta de noção quando esquecemos de buscar em Cristo a forma mais inteligente de pregar o Evangelho. O que, aliás, às vezes nem precisa de palavras.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor que não cabe em si

Ok, sei que o blog está jogada às traças. Tive que priorizar algumas atividades (vide foto) e creiam, não está sobrando cabeça para o CrentePensante. Em breve (espero), espero  voltar a abrir o verbo por aqui contra os vendilhões do templo e as esquisitices evangélicas que azucrinam o povo de Deus.

Por hora, publico o flagrante deste pai, completamente idiotizado, que vos fala. Diz aí: qual pai não ficaria abobalhado com uma princesinha assim dormindo no seu ombro. Traduzindo o sentimento que Sofia me causa: amor que não cabe em si.

Deus abençoe a todos. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sofia em meu mundo


Eu pensava que babar, corujar, abobalhar, mimar seriam infinitivos comuns na minha rotina de pai de primeira viagem. Mas a coisa ficou mais séria do que eu imaginava.

Evidentemente, projetava uma ideia de como é ser pai. O amor, o cuidado, o carinho, a preocupação..., enfim, o pacote típico de toda figura paterna - seja ela um estreante (meu caso) ou veterano nessa árdua tarefa. Todavia, o impacto de ter Sofia diante de meus olhos, segurar aquela pequena/grande criatura do Pai celestial, foi muito além do que palavras poderiam verbalizar. Talvez as lágrimas e a cara de apaixonado tenham traduzido de alguma forma.

Tenho aprendido muito com ela. Desde os primeiros instantes, do primeiro choro, ainda na sala de cirurgia, à vigília da última madrugada. Lições que não se aprendem na teoria, só vivendo.

Há poucos dias, estava no limite do cansaço. Seis noites seguidas quase sem dormir. Compreendi o sentido da expressão “dormindo acordado”. Mesmo quando cochilava, o mínimo ruído vindo do berço de Sofia me soava como o mais estridente despertador. Preocupação ao extremo! Relaxar? Impossível. Até que numa das minhas rondas noturnas no quarto dela, ao vê-la dormir, tranquila, soprou-me ao ouvido a voz interior que me fez lembrar da prerrogativa dos filhos de Deus de poderem descansar Nele. Logo eu, que tantas vezes li, preguei e aconselhei me valendo desse básico direito outorgado aos que creem. Enquanto me afligia, preocupado com o bem-estar da minha filhota, com as contas a pagar...,impotente por não poder fazer além do que estava ao meu alcance, ela dormia, cândida. Soou-me o Salmo 127, versos 2 e 3: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus Ele o dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão”.

Creio que Jesus, ao ensinar a seus discípulos a serem como os pequeninos, também referia-se à forma como as criancinhas, e só elas, conseguem descansar – certamente pela própria condição de dependentes que são. Pois é, o semblante de Sofia dormindo, me ensinou bem mais que as muitas elucubrações teológicas ao longo de minha, ainda menina, vida de pastor.

A propósito, a foto dela aí em cima fala por si. É ou não é?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Jesus, me ajude

Pois é, meus amados. Estou mesmo sumido da blogosfera, mas tenho buas razões para tanto. Faltam apenas 16 dias para a chegada de Sofia e, na escolha das prioridades, o CrentePensante acabou dançando (pelo menos por um tempo). Ontem, por recomendação de uma amiga do trabalho, deparei-me com esse vídeo. Assistam e orem por mim.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Colunista da Folha de São Paulo compara a Marcha Para Jesus com a Parada Gay

Detalhe da Marcha para Jesus 2011, em São Paulo
Raramente publico artigos de terceiros no CP. Dessa forma, responsabilizo-me por minhas elucubrações e recebo os comentários e pedradas que houver de receber por elas. Todavia, vez por outra, destaco textos que considero interessantes e que se encaixam na linha de pensamento do blog, caso deste que surrupiei do GNotícias. Vale conferir.

Por Rafael Porto

O colunista da Folha de São Paulo, Revista Veja e da Rádio CBN, Gilberto Dimenstein, causou polêmica nesta semana ao escrever em seu blog o texto “São Paulo é mais gay ou evangélica?”. Na análise, o jornalista argumenta que “os gays usam a alegria para falar e se manifestar”, enquanto “a parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade”.

Dimenstein foi criticado por outro conhecido colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, que em seu blog classificou o texto como “tolo”, “burro”, “falacioso” e “preconceituoso”, rebatendo, linha por linha, todas as afirmações contidas no artigo de Gilberto Dimenstein. “Há uma diferença que a estupidez do texto de Dimenstein não considera: são os militantes gays que querem mandar os evangélicos para a cadeia, não o contrário”, argumenta Azevedo.

Abaixo você confere a íntegra do artigo de Gilberto Dimenstein:

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da ideia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários. Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança. Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertas com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

Nada contra – muito pelo contrário– o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.

Abaixo agora a resposta de Reinaldo Azevedo comentando em chaves o texto do colunista da Folha:

Gilberto Dimenstein, para manter a tradição — a seu modo, é um conservador, com sua mania de jamais surpreender —, resolveu dar mais uma contribuição notável ao equívoco ao escrever hoje na Folha Online sobre a Marcha para Jesus e sobre a parada gay.

São Paulo é mais gay ou evangélica?

{Sem qualquer investimento voluntário na polissemia, é um texto tolo de cabo a rabo; do título à última linha. São Paulo nem é “mais gay” nem é “mais evangélica”. Fizesse tal consideração sentido, a cidade é “mais heterossexual” e “mais católica”, porque são essas as maiorias, embora não-militantes. Ora, se a diversidade é um dos aspectos positivos da cidade, como sustenta o articulista, é irrelevante saber se a cidade é “mais isso” ou “mais aquilo”, até porque não se trata de categorias excludentes. Se número servisse para determinar o “ser” da cidade — e Dimenstein recorre ao verbo “ser” —, IBGE e Datafolha mostram que os cristãos, no Brasil, ultrapassam os 90%.}

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da idéia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.

{Nessas poucas linhas, o articulista quer afastar a suspeita de que seja preconceituoso. Está, vamos dizer assim, preparando o bote. Vamos ver.}

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

{Está tudo errado! Pra começo de conversa, que história é essa de que “é um direito” dos evangélicos “não respeitar” os direitos dos gays? Isso é uma boçalidade! Nenhum evangélico reivindica o “direito” de “desrespeitar direitos” alheios. A frase é marota porque embute uma acusação, como se evangélicos reivindicassem o “direito” de desrespeitar os outros.}

{Agora vamos ver quem quer tirar o direito de quem. O tal PLC 122, por exemplo, pretende retirar dos evangélicos — ou, mais amplamente, dos cristãos — o direito de expressar o que suas respectivas denominações religiosas pensam sobre a prática homossexual. Vale dizer: são os militantes gays (e não todos os gays), no que concerne aos cristãos, que “reivindicam uma sociedade com menos direitos e menos diversidade”. Quer dizer que a era da afirmação das identidades proibiria cristãos, ou evangélicos propriamente, de expressar a sua? Mas Dimenstein ainda não nos ofereceu o seu pior. Vem agora.}

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

{Milhões de evangélicos se reuniram ontem nas ruas e praças, e não se viu um só incidente. A manifestação me pareceu bastante alegre, porém decorosa. Para Dimenstein, no entanto, a “alegria”, nessa falsa polarização que ele criou entre gays e evangélicos, é monopólio dos primeiros. Os segundos seriam os monopolistas do “ranço um tanto raivoso”. Ele pretende evidenciar o que diz por meio da locução conjuntiva causal “já que”, tropeçando no estilo e no fato. A marcha evangélica, diz, “faz ataques a diversos segmentos da sociedade” — neste ano, “o STF”. O democrata Gilberto Dimenstein acredita que protestar contra uma decisão da Justiça é prova de ranço e intolerância, entenderam? Os verdadeiros democratas sempre se contentam com a ordem legal como ela é. Sendo assim, por que os gays estariam, então, empenhados em mudá-la? No fim das contas, para o articulista, os gays são naturalmente progressistas, e tudo o que fizerem, pois, resulta em avanço; e os evangélicos são naturalmente reacionários, e tudo o que fizerem, pois, resulta em atraso. Que nome isso tem? PRECONCEITO!}

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários.

{Bem, chego a duvidar que Gilberto Dimenstein estivesse sóbrio quando escreveu essa coluna. Não há?}

Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança.

{Em qualquer país do mundo democrático, questões religiosas e morais se misturam ao debate eleitoral, e isso é parte do processo. Políticos também desfilam nas paradas gays, como todo mundo sabe.}

Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertar com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

{Todos sabem que o PT é o grande incentivador dos movimentos gays. Como é notório, trata-se de um partido acima de qualquer suspeita, jamais envolvido em falcatruas, que pauta a sua atuação pelo mais rigoroso respeito às leis, aos bons costumes e à verdade.}

Nada contra –muito pelo contrário– o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

{Gilberto Dimenstein precisa estudar o emprego do infinitivo flexionado. A inculta e bela virou uma sepultura destroçada no trecho acima. Mas é pior o que ele diz do que a forma como diz. Que história é essa de “nada contra”? Sim, ele escreve um texto contra o direito de manifestação dos evangélicos. O fato de ele negar que o faça não muda a natureza do seu texto. Ora, vejam como os militantes gays são bonzinhos — querem que todos sejam alegres —, e os evangélicos são maus: pretendem tolher a livre manifestação do outro. SÓ QUE HÁ UMA DIFERENÇA QUE A ESTUPIDEZ DO TEXTO DE DIMENSTEIN NÃO CONSIDERA: SÃO OS MILITANTES GAYS QUE QUEREM MANDAR OS EVANGÉLICOS PARA A CADEIA, NÃO O CONTRÁRIO. São os movimentos gays que querem rasgar o Artigo 5º da Constituição, não os evangélicos.}

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.

{Hein??? A conclusão, obviamente, não faz o menor sentido nem decorre da argumentação. Aquele “portanto” dá a entender que o autor demonstrou uma tese. Bem, por que a conclusão de um texto sem sentido faria sentido? Termina tão burro e falacioso como começou.}

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pastoras lésbicas querem 'evangelizar' na Parada Gay de SP


Três semanas depois de inaugurar uma igreja inclusiva e voltada para acolher homossexuais no Centro de São Paulo, o casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha pretende participar da Parada Gay de São Paulo, em 26 de junho, para "evangelizar" os participantes. Estudantes de assuntos ligados à teologia e a questões sexuais, as mulheres encaram a Parada Gay como um movimento que deixou de lado o propósito de sua origem: o de lutar pelos direitos dos homossexuais.

“A história da Parada Gay é muito bonita, mas perdeu seu motivo original”, diz Lanna Holder. Para a pastora, há no movimento promiscuidade e uso excessivo de drogas. “A maior concepção dos homossexuais que estão fora da igreja é que, se Deus não me aceita, já estou no inferno e vou acabar com minha vida. Então ele cheira, se prostitui, se droga porque já se sente perdido. A gente quer mostrar o contrário, que eles têm algo maravilhoso para fazer da vida deles. Ser gay não é ser promíscuo.”
As duas pastoras vão se juntar a fiéis da igreja e a integrantes de outras instituições religiosas para conversar com os participantes da parada e falar sobre a união da religião e da homossexualidade. Mas Lanna diz que a evangelização só deve ocorrer no início do evento. “Durante [a parada] e no final, por causa das bebidas e drogas, as pessoas não têm condição de serem evangelizadas, então temos o intuito de evangelizar no início para que essas pessoas sejam alcançadas”, diz.
Leandro Rodrigues, de 24 anos, um dos organizadores da Parada Gay, diz que o evento “jamais perdeu o viés político ao longo dos anos”. “O fato de reunir 3 milhões de pessoas já é um ato político por si só. A parada nunca deixou de ser um ato de reivindicação pelos direitos humanos. As conquistas dos últimos anos mostram isso.”

Segundo ele, existem, de fato, alguns excessos. “Mas não é maioria que exagera nas drogas, bebidas. Isso quem faz é uma minoria, assim como acontece em outros grandes eventos. A parada é aberta, e a gente não coíbe nenhuma manifestação individual. Por isso, essas pastoras também não sofrerão nenhum tipo de reação contrária. A única coisa é que o discurso tem que ser respeitoso.”
Negação e aceitação da sexualidade
As duas mulheres, juntas há quase 9 anos, chegaram a participar de sessões de descarrego e de regressão por causa das inclinações sexuais de ambas. “Tudo que a igreja evangélica poderia fazer para mudar a minha orientação sexual foi feito”, afirma Lanna. “E nós tentamos mudar de verdade, mergulhamos na ideia”, diz Rosania. As duas eram casadas na época em que se envolveram pela primeira vez.
“Sempre que se fala em homossexualidade na religião, fala-se de inferno. Ou seja, você tem duas opções: ou deixa de ser gay ou deixa de ser gay, porque senão você vai para o inferno. E ninguém quer ir para lá”, diz Lanna.

A pastora afirma que assumir a homossexualidade foi uma descoberta gradual. “Conforme fomos passando por essas curas das quais não víamos resultado, das quais esperávamos e ansiávamos por um resultado, percebemos que isso não é opção, é definitivamente uma orientação. Está intrínseco em nós, faz parte da nossa natureza.”

Igreja Cidade de Refúgio
Segundo as duas mulheres, após a aceitação, surgiu a ideia de fundar uma igreja inclusiva, que aceita as pessoas com histórias semelhantes as delas. “Nosso objetivo é o de acolher aqueles que durante tanto tempo sofreram preconceito, foram excluídos e colocados à margem da sociedade, sejam homossexuais, transexuais, simpatizantes”, diz Lanna.

Assim, a Comunidade Cidade de Refúgio foi inaugurada no dia 3 de junho na Avenida São João, no Centro de São Paulo. Segundo as pastoras, em menos de 2 semanas o número aumentou de 20 fiéis para quase 50. Mas o casal ressalta que o local não é exclusivo para homossexuais. “Nós recebemos fiéis heterossexuais também, inclusive famílias”, diz Rosania.
Apesar do aumento de fiéis, as duas não deixaram de destacar as retaliações que têm recebido de outras igrejas através de e-mails, telefonemas e programas de rádio e televisão. “A gente não se espanta, pois desde quando eu e a pastora Rosania tivemos o nosso envolvimento inicial, em vez de essa estrutura chamada igreja nos ajudar, foi onde fomos mais apontadas e julgadas. Mas não estamos preocupadas, não. Viemos preparadas para isso”, afirma Lanna.

Comentário do editor

Lanna Holder alcançou a fama nacional ao tornar-se pregadora nos Gideões, em Camboriu-SC. Com seu testemunho de “mudança”, dizia-se ex-homossexual e, assim, acrescido de “replé-plés” ensaiados e “profetadas”, cativou muitos evangélicos pentecostais. Mas, como nada fica em oculto (Lc 12:2), a farsa veio à tona e o resultado é este que estamos vendo. Vou resumir minha opinião em uma passagem: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, a César o que é de César (Lc 20:25). Para bom entendedor basta. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ex-BBB diz que seria hétero, se pudesse

Em um programa da MTV, o deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ) declarou o seguinte: “Se pudesse escolher a minha sexualidade, eu optaria por ser heterossexual”. Foi uma resposta à pergunta do apresentador e humorista Adnet sobre “o que o ex-BBB achava do pensamento de muitas pessoas de que a homossexualidade é uma escolha e não uma característica nata”.

A resposta do parlamentar é no mínimo um contra-senso, vinda de um cidadão que se diz convicto de sua homossexualidade, sendo um dos principais defensores do PL 122 e da causa gay no Congresso Nacional. Penso ser vergonhoso para o “movimento gay” o fato de um de seus “ídolos” afirmar que, se pudesse escolher, não seria quem é.

As palavras do deputado surpreendeu o apresentador da MTV. Adnet quis saber por que o ex-BBB escolheria ser hétero caso lhe fosse dada a opção. A resposta não poderia ser mais óbvia. Ele declarou que escolheria a heterossexualidade para não sofrer as consequências de viver numa sociedade preconceituosa. Perdido em sua suposta intelectualidade, Wyllys parece deitar na fama de defensor dos homo-oprimidos sem se dar conta das bobagens que diz.

É elementar, meu caro Watson: como alguém pode se dizer feliz sendo quem é, ou mesmo defensor de um grupo, se caso houvesse uma chance ele optaria por ser outra pessoa? Em outras palavras, Wyllys se diz alguém que nasceu homossexual e, por isso, não poderia fugir de sua “natureza”, mas o faria se pudesse. Seria, então, o homossexualismo, para ele, uma espécie de prisão, uma pena obrigatória pela “infelicidade” de ter nascido num país homofóbico? Só que ele se trai ao dizer – num claro ataque à opinião de uma parcela enorme da sociedade, nós cristãos em especial -, que sua homossexualidade é um peso para ele, um preço alto a pagar pela impossibilidade de ter uma natureza biologicamente e anatomicamente normal.

Se para Wyllys ser homossexual não é uma questão de escolha e, por isso mesmo, um fardo a carregar, recomendo-lhe as palavras de Jesus registradas em Mateus 11:28, 29: “Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos e eu os aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.

Aprendei de Cristo e conhecerás Aquele que torna o impossível possível ao que crê.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Rio: beleza em pessoas


Vou poupá-los da obviedade. Que o Rio de Janeiro é a cidade mais linda do mundo, só cego não vê. Por isso, vou resumir na expressão “ual!” os elogios que faria - tal qualquer pessoa em sã consciência (e de férias) - às belezas da Cidade Maravilhosa. Mas, como nossa estada em cenários cariocas não poderia passar em brancas nuvens aqui no CP, recorro a um sentimento precisamente verbalizado por minha amada, Dini Kelly: “O Rio é maravilhoso, lindo demais, mas o que mais nos marcou foram as pessoas com as quais Deus nos presenteou nos dias em que estivemos lá”.

Dini, Cris, Rebeca e Fernando: pizzaria depois do culto
E Ele caprichou mesmo. Para começar, fomos agraciados com o amor e a hospitalidade da Família Del Bosco (Fernando, Cris, Rebeca e D. Wanda). De um ato de gentileza (nos acolher em sua casa) nasceu uma bela aliança de amizade e respeito. Rimos muito, oramos, passeamos, comemos pra dedéu, conversamos sobre muitos assuntos..., enfim, foram momentos preciosos os que passamos juntos.

Noutra esfera, rever o Paulinho, companheiro de primórdios do Encontro Jovem, foi especial. Nos encontramos na simpática cidade serrana de Petrópolis, onde ele mora. Ali, passamos o sábado e parte do domingo, na companhia dele e de sua Cecília. Nos deparamos com a cidade lotada de turistas (talvez por causa do frio de 8°) e acabamos sem um hotel para ficar. Sobrou para o Paulinho, que, amorosamente, nos ofereceu abrigo no seu apê. Detalhe: nós ficamos com a única cama e ele, com o edredom estendido no chão. Esse tipo de atitude fala mais que palavras. Sentimo-nos honrados.

Com Pedrosa no Pão de Açúcar: visual e conversa abençoada
De volta ao Rio, mais uma grata surpresa. Conhecemos o Pedrosa, irmão da Valéria. Que figura! Maranhense da gema - mas carioca de paixão, morador de Copacabana -, o cara simplesmente se voluntariou a passear conosco pela cidade. Detalhe: nunca havia nos visto antes (mistério do Senhor). Passamos horas super agradáveis. Destaque para a exposição em homenagem a Fernando Pessoa que visitamos na Sede Cultural dos Correios; para o chá da tarde na Colombo; e as conversas no sobe-desce no Pão de Açúcar. Arredio a fotos, foi difícil registrar a estampa do cara (vide foto, que, lógico, não retrata a beleza maior do Pedrosa: a gentileza, o carinho, a cultura e o bom-humor).

Nós e Pr. Jônatas, na Assembléia Penial (Duque de Caxias)
O bom do Rio é que o belo vai muito além do óbvio. Na singela Duque de Caxias (Baixada Fluminense), pudemos contemplar a beleza de um casal abençoado, que muito nos ensinou. Pr. Jônatas Leal e sua esposa, a missionária Jaqueline Leal, nos deram o privilégio de conhecer a sua igreja (Assembléia de Deus Peniel). Foi num sábado pela manhã, durante um culto de muitas mensagens e testemunhos. Tive a honra de estar no altar e poder falar da minha alegria de ver como Deus se agrada da simplicidade, e que não precisa de templos suntuosos para manifestar a sua glória.

E é claro que eu não passaria por terras cariocas sem estar face a face com o professor/escritor/conservo/blogueiro/amigo... Alberto Couto. Que jantar agradável ele nos proporcionou. Degustamos as suas histórias: a alegria como falou da casa nova e de sua família; o bom humor refinado; a sabedoria modesta; o testemunho de conversão... Após o jantar, um passeio por Jacarepaguá e uma foto à porta de sua casa, para a posteridade.

Couto e eu. Notem a placa na porta do cara: homem sábio
Pois é, não bastasse a paisagem, Deus achou de nos presentear com pessoas maravilhosas na Cidade Maravilhosa. A elas, remeto virtualmente um caloroso abraço saudoso. Muito, muito obrigado mesmo! Deus abençoe.

sábado, 4 de junho de 2011

Sai da lama, jacaré!




Veja com são as coisas. Eu nem queria, mas... buscava no Youtube algo que pudesse ilustrar um post que pretendia fazer sobre uma tal “Unção do Esquecimento”, quando, meio sem querer querendo, deparei-me com essa pérola aí do vídeo. Há tempos não via algo tão... faltam-me palavras para descrever.

Pois é, contra o “Exu da Lama”, use “sabonete Gizuiz” ungido em Israel. É tiro e queda. Detalhe: o futuro usuário precisa receber o produto na tal “Sexta-feira Forte”. Fico pensando na pessoa que assistir a esse vídeo no domingo. Vai ter que continuar o resto da semana “no lamaçal”, cheirando a sei lá o quê. Tá ligado?!

Gente, e o gordinho da esquerda. Coitado! A cara dele de assustado é impagável. O reboque do irmão da lama, no final, foi um exemplo poderoso da “unção do guindaste coletivo”. Tá ligado?!

Confesso que fiquei na dúvida se se tatava de um vídeo verdadeiro ou uma paródia das invencionices que temos visto por aí. Fica o registro, para avaliação dos leitores.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Minha Bíblia virtual

No meu aniversário, ganhei do meu pastor uma “Bíblia Glow”, considerada “a Bíblia digital” e evolução da famosa “Ilumina”. Lançada em 2009 nos Estados Unidos – onde já soma mais de 65 mil instalações -, a “Glow” é obra-prima de um brasileiro, o engenheiro e cristão Nelson Saba (foto abaixo). Para os ditos jovens “descolados” de nosso tempo, ele talvez se enquadre no rótulo de “nerd”. Formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA (só quem estuda muito consegue cursar engenharia no ITA), ele trocou o emprego em Nova York por uma missão: elaborar o que considera a “Bíblia digital definitiva” e, claro, converter o mercado a adotá-la.

A “Glow” foi lançada em agosto do ano passado no Brasil e, até o momento, vendeu cerca de 8 mil unidades, número modesto se comparado ao norte-americano. Mas, nada que desanime Saba, que aposta no mercado nacional e costuma ser discreto ao falar de se suas convicções cristãs - coisa de “nerd”. E falando em nerds, outro dia assistia ao Profissão Repórter, cuja temática era a bebedeira entre jovens brasileiros e um deles, à porta de uma Universidade, revelou à jornalista que preferia beber a assistir aula, e que os “únicos que estavam em sala naquele momento eram o professor e os nerds”. Pois é, mané, os “nerds” são caras como Nelson Saba, que se deu ao luxo de trocar um emprego bem remunerado em Nova York para se dedicar a um sonho. E adivinha? Está ganhando milhões de dólares com isso.

Voltando a falar da “Glow”, confesso que ainda preciso me adaptar melhor a esse admirável mundo novo da tecnologia da informação. Infelizmente, ainda não tive o tempo adequado para conhecer a super-Bíblia digital em toda a sua magnitude. Até porque sou do tipo que privilegia manusear as páginas reais das Sagradas Escrituras; folhear suas folhas de papel fino; aproximar os olhos do livro para conferir as minúsculas letras das notas de rodapé; ler e reler um certo versículo, deixando a Palavra penetrar a alma; ir e vir do AT ao NT, etc. Para mim, dificilmente um computador poderá substituir esses pequenos prazeres.

Todavia, não sou adverso às novidades tecnológicas, pelo contrário. Não vejo problema algum nos irmãos que carregam a Bíblia no celular, ou nos pregadores que usam o notebook no púlpito. E daí se um jovem prefere ler a Palavra em seu palmtop? Lê-la é o que importa. A palavra é, e sempre será, viva e eficaz (Hb 4:12), seja ela oral (como nos primórdios), manuscrita (como nos originais), impressa ou em caracteres virtuais. Vale o que está escrito. De uma forma ou de outra, ela não passará (Mt:24:35). Portanto, não vejo a hora de degustar a minha “Bíblia Glow”, cujo único problema, a meu ver, é o preço (R$ 140,00, em média). Mas, como já disse, fui abençoado com uma. Aleluia!